Foi na música que a violinista mineira Nath Rodrigues, 27, nascida em Sabará, iniciou sua formação artística, priorizando o choro. Mas o seu percurso não se limitou apenas a esse caminho. A artista, que é multi-instrumentista premiada, compositora e cantora, circula pela capoeira, pelo teatro e também pelos blocos de Carnaval. E um pouco de cada uma dessas experiências costumam convergir em seus trabalhos, como poderá ser percebido no seu primeiro show solo, a ser apresentado no dia 7, na Idea Casa de Cultura.
“Eu estava alimentando em mim essa vontade de ter um show autoral, então, desde o ano passado eu comecei a experimentar algumas formações. Eu fiz um show com voz e violão com um amigo meu, o Maurício Pazz, e depois outro com a Deborah Mussolini até chegar no formato atual que é maior, com uma banda que tem baixo, guitarra, bateria e percussão. Desta vez, eu quero me apresentar só como cantora”, relata Nath.
Ela observa que essa escolha não reflete só suas experimentações na seara musical e tem a ver com suas investigações sobre o corpo em cena. Desde 2013, Nath tem aproximado-se cada vez mais das artes cênicas, a partir da participação em musicais como “Clara Negra”, da Cia Burlantins; “Zumbi”, dirigido por João das Neves; e “Oratório – A Saga de Dom Quixote e Sancho Pança”, realizado por Sérgio Pererê e Mauricio Tizumba.
Ela ainda integrou o elenco do elogiado “Madame Satã”, do Grupo dos Dez, em 2015, e nesse mesmo ano estreou a montagem “Negr.a” com o Coletivo Negras Autoras, fundado por ela, Elisa de Sena, Júlia Dias, Manu Ranilha e Eneida Baraúna, que deixou o grupo. Atualmente, Aline Vila Real e Vi Coelho somaram-se a esta formação que, neste ano, trouxe a público “Eras”, com direção de Grace Passô e preparação vocal de Fabiana Cozza. Segundo Nath, essas parcerias foram fundamentais para ela, aos poucos, desprender-se dos instrumentos a fim de explorar uma presença nos palcos inteiramente dedicada à voz.
“Embora eu seja instrumentista, eu estou propondo agora me apresentar sem os instrumentos. Acho que isso é parte de uma experimentação comigo mesma, com o meu corpo em cena e, assim, eu quero me explorar mais como cantora para dar vida às minhas músicas”, pontua Nath. Suas canções versam sobre diversos temas, desde o universo da mulher negra às tradições de matriz afro-brasileira. “Eu escrevo a partir das minhas vivências cotidianas e acho que o meu repertório mistura várias faces de mim mesma”, acrescenta ela.
“Meninas dos Olhos”, por exemplo, é uma homenagem à capoeira angola. “Eu tenho me envolvido com a capoeira há uns cinco anos e acho que ela é um instrumento de emancipação dos sujeitos, das mulheres; ela é algo capaz de promover a liberdade, a autonomia. Serve para aproximar o nosso espírito do nosso desenvolvimento físico”, resume Nath, que vê a modalidade como uma filosofia de vida. “Em ‘Menina dos Olhos’, eu tento contar um pouco a história da capoeira, inserindo a figura da mulher nesse contexto”, completa ela.
Reconhecimento. Enquanto busca dar novos passos em sua carreira, Nath já possui algumas conquistas bastante sólidas. Em 2013, ela foi contemplada com o prêmio BDMG Jovem Instrumentista. Antes disso, ela havia tocado na Orquestra Jovem do Palácio das Artes e na Orquestra Sinfônica da Uemg. A partir disso, ela conta ter dirigido sua atenção para a música popular brasileira.
Apesar de ter aprofundado no estudo do violino, Nath começou tocando clarineta, aos nove anos, na Sociedade Musical Santa Cecília, em Sabará. A instituição existe há mais de dois séculos, sendo uma das mais longevas do país.
“Eu cantei no coral também e, em 2001, quando foi aprovado um projeto de resgate do repertório de uma orquestra que havia existido em Sabará, a sociedade resolveu aproveitar quem já estudava lá para aprender instrumentos novos. Foi assim que eu comecei no violino”, conta Nath, que também compõe com bandolim, berimbau e violão.
Sobre o interesse pelo popular, a partir do violino, em vez do clássico, a artista ressalta ter optado pelo trajeto menos óbvio. “A vertente mais erudita é algo que praticamente já está posto para o violino, mas eu senti que faltava alguma coisa na minha identificação com esse segmento. Eu gosto muito do repertório clássico, mas eu sempre quis ter autonomia sobre a minha performance e numa orquestra não existe muito espaço para isso. Eu estava interessada em desenvolver uma sonoridade própria, buscar uma identidade no meu instrumento, e assim, naturalmente eu fui me aproximando do choro”, conta ela.

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