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sábado, 22 de outubro de 2022

FRANCISCO ALVES

 

Nome completoFrancisco de Morais Alves
Também conhecido(a) comoChico Alves
Chico Viola
Rei da Voz
Nascimento19 de agosto de 1898
Local de nascimentoRio de JaneiroRJ
Morte27 de setembro de 1952 (54 anos)
Local de mortePindamonhangabaSP
Nacionalidadebrasileiro
Gênero(s)samba
maxixe
marchinha
CônjugePerpétua Guerra Tutóia (1920)
Célia Zenatti (1921—1949)
Instrumento(s)violão
Extensão vocaltenor
barítono[1]
Período em atividade1918-1952
Gravadora(s)
Afiliação(ões)dupla com Mário Reis
trio com Noel Rosa e Ismael Silva
"Ases do Samba"



Francisco de Morais Alves, mais conhecido por Francisco AlvesChico Alves ou Chico Viola (Rio de Janeiro19 de agosto de 1898 — Pindamonhangaba27 de setembro de 1952), considerado um dos maiores, mais populares e versáteis cantores brasileiros.[2] A qualidade de seu trabalho lhe rendeu em 1933 a alcunha de "Rei da Voz", dada pelo radialista César Ladeira.[3] Foi, ainda, peça decisiva para a construção de vários gêneros populares da música.[4]

Alves era uma figura alta e magra; andava sempre elegante e bem penteado; muito sorridente e avesso às bebidas.[5] Como seu ídolo Vicente Celestino, tinha uma voz de tenor mas, com o tempo, consolidou-se em barítono.[1] De origem humilde, deixou uma vasta produção de mais de quinhentos discos;[nota 1] sua morte trágica causou imensa comoção no país, num sentimento que um de seus biógrafos, David Nasser (que também era amigo e compositor de algumas músicas por ele interpretadas), escreveu: "Tu, só tu, madeira fria, sentirás toda agonia do silêncio do cantor".[3] A despeito disso, muitos no meio artístico o consideravam bruto, de poucos amigos e vários desafetos.[6]

Foi dele a primeira gravação de disco elétrico feita no Brasil.[7] Graças a ele compositores como CartolaHeitor dos Prazeres ou Ismael Silva vieram a ser consagrados, o mesmo ocorrendo com várias canções que interpretou, como Ai! que saudade da Amélia,[8] ou a primeira gravação do samba Aquarela do Brasil do parceiro Ary Barroso.[3] Representava para o país, quando de sua morte, o que o cantor Maurice Chevalier era para a França: um "caso raro" — como então registrou o Jornal do Brasil.[9]

Primeiros anos e início da carreira

Chico e a viola

Seu pai, José Alves, era um imigrante português que se radicara no centro do Rio, então a capital do país; ali, na rua do Acre, ele abriu um bar e foi nesta rua que nasceu o cantor, um dos cinco filhos que teve; e nesta rua ele passou sua infância.[2] Seus irmãos eram Ângela, Lina, Carolina e José e a mãe, Isabel Morais Alves,[10] era também imigrante lusa.[11]

Da irmã mais velha Ângela ganhou seu primeiro instrumento, uma guitarra.[2] Ainda menino a família se mudou para a rua Evaristo da Veiga e, face às dificuldades, ele trabalhou como engraxate e, aproveitando-se da proximidade com um batalhão da polícia, passou a acompanhar os ensaios de sua banda de música;[2] chegou a fugir de casa para não ter que estudar para se tornar guarda-livros (contador) no Colégio da Ajuda onde seu pai tencionava matriculá-lo e,[11] quando ficou maior, conseguiu o primeiro emprego (1916) na fábrica de chapéus Mangueira;[nota 2][12][3][12] depois de pouco tempo foi para a Júlio Lima.[2] Sua irmã Lina, por sua vez, entrara para o meio artístico e viria a se tornar atriz como vedete no teatro de revista e depois nas radionovelas, adotando o nome de Nair Alves.[10][nota 3]

Em 1918 começou a cantar profissionalmente; o primeiro local onde se apresentou foi o Pavilhão do Méier onde foi contratado após um teste, feito pelo pai de Mário Lago, o maestro Antônio Lago.[2][10] Dali cantou no Circo Spinelli e fez parte de uma companhia artística que logo se dissolveu, com a chegada na cidade da pandemia da gripe espanhola,[2] que veio a matar seu irmão Juca (José) em 1918 e o pai no ano seguinte;[10] no mesmo ano ele começou a trabalhar como chofer de táxi.[2] Revela admiração pelo cantor Vicente Celestino que via em apresentações no Teatro São José, em cujo estilo se inspirou.[3]

Com a morte do pai e do irmão, e o casamento das irmãs, morou sozinho com a mãe.[2] Em 1919, o grupo voltou a se organizar em Niterói e Alves, mais uma vez, passou a integrar a companhia.[2] Neste período conheceu o já famoso compositor Sinhô que então lhe apresentou ao filho de Chiquinha Gonzaga, que estava instalando uma fábrica de discos e, já em 1919, ele gravou pelo novo selo chamado Popular.[2]

Miolo do disco "O Pé de Anjo", gravado em 1919

Este trabalho trazia Sinhô como ritmista e levava algumas de suas sobrinhas para o coro; as duas composições do disco eram de autoria dele: a marchinha "O Pé de Anjo" e o samba "Fala, Meu Louro"; gravou, também de Sinhô o samba "Alivia Esses Olhos", em seguida.[2] Sinhô, que fora responsável pelo lançamento de muitos artistas, foi quem ensinou a Alves as técnicas vocais.[7]

Tornou-se um frequentador das zonas boêmias cariocas da Lapa e de Vila Isabel, onde conhece muitos artistas, dentre os quais Pixinguinha; foi na Lapa que em 1920 ele conheceu, num cabaré, Perpétua Guerra Tutoia, com quem tem um breve casamento, a contragosto da família.[2] A união com a garota que tinha o apelido de Ceci aconteceu, segundo ele, num momento de loucura, e durou cerca de uma semana.[10]

O casamento errado

Chico conhecera Ceci — pseudônimo adotado na vida de meretrício — num prostíbulo de baixa categoria da rua Joaquim Silva e viu-se prontamente apaixonado pela mulher que ele mesmo descreveu como sendo "bonita, atraente, a boca muito pintada, os olhos maliciosos e o vestido colado ao corpo" que "davam-lhe a indescritível cor local."[14]

Imediatamente quis tirar a moça daquela vida e ambiente "de pecado"; para tanto pediu-lhe em casamento e esta aceitou; mas nem seus amigos — que encheram-lhe de advertências — nem a família concordaram com tal união: da mãe Isabel ouviu que este lhe seria "o maior desgosto" de sua vida; a irmã Ângela lembrou-lhe do pai, que jamais aprovaria aquele ato; nada demoveu Alves da decisão e, no dia 24 de maio de 1920, em celebração apenas civil, casou-se com a prostituta sem a presença nem de amigos nem de familiares.[14] Foram testemunhas desconhecidos que, ao acaso, estavam por perto; a festa se restringiu a pão com manteiga — ou "média" como era chamado.[11]

Após alguns dias a esposa, contudo, lhe confessou que não abandonara a profissão, que continuava a se prostituir pois o fazia não pelo dinheiro apenas, mas porque gostava da vida alegre e agitada dos bordéis; ante o choque da revelação — ele mais tarde diria ao amigo David Nasser não entender como alguém gostasse daquela vida — o relacionamento terminou menos de um mês após ter começado.[14]

Chico nunca entrou com um desquite; segundo disse a Nasser, isto se deu por ignorância e, em suas palavras: "A Perpétua havia me processado duas vezes, injuriando-me em juízo. O juiz me deu ganho de causa e desde então ficamos juridicamente separados de corpo. Ora, como eu não tinha dinheiro e só tinha mesmo o corpo e a roupa do corpo, acreditei que era tudo".[11]

O fracasso no relacionamento não foi o mesmo na carreira: ingressou na companhia de Batista de Oliveira, em Niterói, e conheceu um novo amor.[14] Perpétua (ou Ceci) desapareceu de sua vida por trinta anos — quando retornou de forma surpreendente.[14]

Anos 1920 — cantor, ainda taxista, começo do sucesso

Nair Alves (Colombina), o irmão Chico (Almofadinha) e Marieta Field na revista "Sonho de Ópio", 1923

Em 1921, o empresário José Segreto convidou-o para interpretar no Teatro São José, nas peças de teatro de revista de sua produção, nada menos que os sucessos de seu ídolo Vicente Celestino.[2] No Teatro São José fez parte da companhia de revistas do ator Alfredo Silva, onde ficou pouco tempo como corista, sendo promovido a ator secundário e, logo, protagonista da peça cômica que popularizou a canção homônima “A Malandrinha”.[12] No mesmo ano conheceu e se casou com a atriz Célia Zenatti, com quem viveria por vinte e oito anos.[3] Apesar de já atuar profissionalmente como artista, não abandonou a atividade de taxista.[2]

Mudando de gravadora lançou em 1924, pela Odeon, gravações de samba e marchas, mas não alcançou bom resultado, como o samba Miúdo, de Sebastião Santos Neves e marchas carnavalescas como Não me passo prá você e Mademoiselle cinema, de Freire Júnior.[2]

Almirante contava que, a partir de 1928, Alves lançou suplementos pela Parlophon, paralelos aos discos pela Odeon; enquanto nesta usava o nome real, naquela usava o apelido de Chico Viola; isto gerou confusão mesmo em pessoas do ramo artístico, que debatiam qual dos dois cantores seria o melhor: uns diziam ser Francisco, outros o Chico — discutindo sobre a mesma voz e o mesmo cantor.[15]

Em 1930 começou a gravar em dupla com Mário Reis (então recém-formado em direito e trabalhando no Banco do Brasil) e isto representou, segundo o historiador Ronaldo Conde Aguiar, "um marco na história da música popular brasileira" a formação do dueto; a parceria representou um enorme sucesso e durante dois anos gravaram juntos vinte e quatro músicas (ou doze discos).[14]

Em 1930 ele grava para o carnaval a marcha "Dá Nela", que foi um sucesso tão grande que mereceu da Casa Edison, dona da gravadora Parlophon, o seu maior prêmio; no meio deste ano ocorreu o assassinato do então governador da ParaíbaJoão Pessoa, que desencadeou o movimento revolucionário que levaria ao poder pela primeira vez a Getúlio Vargas; no calor dos fatos, Alves grava o "Hino a João Pessoa".[16] Quando os acontecimentos políticos se agravam, contudo, ele viaja em excursão para Buenos Aires, contratado pela empresa de teatro de revista de Jardel Jércolis.[16]

Ainda em 1928 gravou os sambas A Favela Vai Abaixo e Não Quero Saber Mais Dela, de Sinhô, este em dueto com a atriz Rosa Negra, com quem também gravou o foxtrote Moleque Namorador, de Hekel Tavares e Que Pequena Levada de J. Francisco de Freitas. Naquele ano, o Rei da Voz gravou 62 discos pela Odeon, num total de mais de 120 músicas, um recorde para a época.[2] Ao todo foram 421 fonogramas gravados entre 1927 a 1930, um recorde até os dias de hoje,[17][carece de fonte melhor] quase a metade de sua discografia completa.

Década de 1930 — o grande sucesso

Em 1931 deu uma demonstração de falta de educação e sensibilidade, que a muitos revoltava: estavam vários amigos ao lado do jovem pianista Nilton Bastos, prestes a morrer da tuberculose que o vitimou, e Alves teria entrado no quarto a cantar: "Quando eu morrer, não quero nem choro nem vela..." — fato narrado por Mário Reis.[6]

Em 1932 integrou, junto a Carmen MirandaGastão FormentiMozart BicalhoPatrício Teixeira e Elisa Coelho o cast exclusivo da Rádio Mayrink Veiga.[18]

"Ases do Samba" a bordo do Itaquera: Desconhecido (em pé), Pery, Mário, Chico, Noel e Nonô (sentados)

Em maio deste ano Alves, já então consagrado como artista e ídolo popular, junto aos iniciantes Noel Rosa (então com apenas 21 anos), Mário Reis e dos dois músicos Pery Cunha (bandolinista) e Romualdo Peixoto, formam um grupo que ele denominou "Ases do Samba" e realizam uma excursão pelo Sul; no Rio Grande do Sul passaram por Porto AlegreCaxias do SulSão LeopoldoCachoeira do SulPelotas e Rio Grande — indo para lá a bordo do navio Itaquera, numa viagem de sete dias.[5] O cronista pelotense Mário Osório Magalhães registra que Alves fora peremptório na vestimenta que deveriam usar nas apresentações: apenas smoking; já na primeira, contudo, Noel apareceu com um terno branco que pegara de um garçom, para desespero do cantor, que foi então acalmado por Mário Reis dizendo que o público certamente pensaria que a diferença seria "bossa".[5] Na passagem pela capital gaúcha, eles conheceram, num bar, o então jovem artista Lupicínio Rodrigues, a quem Noel previra que "este moço vai longe".[19]

Em 1933 participou em dueto com a então desconhecida Aurora Miranda na sua gravação de estreia, que foi justamente a primeira música tipicamente junina gravada, Cai, Cai, Balão, do compositor baiano Assis Valente e Toque de Amor de Floriano Pinha; Miranda depôs mais tarde que o cantor gostava de ajudar os iniciantes.[20]

Francisco Alves, em foto promocional de 1939

Em 1935 teve por empregada doméstica a futura cantora Carmem Costa, na época com apenas quinze anos de idade, a quem ajudou em seu começo de carreira.[21][nota 4] Nesta década, Carlos Galhardo começou a carreira imitando sua voz e, só depois, foi se libertando para ter o próprio estilo.[23] Em 1939 Alves faz a primeira gravação da antológica Aquarela do Brasil, de Ary Barroso que, com arranjos do pianista Radamés Gnattali, ocupa os dois lados do disco em que foi gravada.[4]

Em 1940, ele participou em números musicais no filme Laranja da China; na revista especializada em cinema A Scena Muda, Renato de Alencar escreveu uma crítica onde se lia: “que cousa apavorante aquela das cantigas de Chico Alves entre a "favelagem", como se estivesse num tablado de pastorinhas lá pelo nordeste![24] Neste mesmo ano o cronista desta revista, Walter Rocha, narrou o seguinte caso do cantor (grifos originais): "Dizem que Francisco Alves, quando de sua primeira tournée a Buenos Aires, apesar de possuir a maior voz do Brasil, teve a 'inteligência' de estrear cantando tangos no idioma platino. E o resultado tomou um característico anedótico, o Chico era calorosamente aplaudido, voltava ao palco, cantava, recebia novos aplausos, até que seu empresário, por trás da cortina, percebeu que o público aplaudia e cantarolava, compassadamente, em ritmo com as palavras: canta, canta até aprender".[25]

Década de 1940

Chico, de motocicleta, por causa do racionamento da Guerra, em 1942

Em 1942, com o surgimento das primeiras radionovelas e a participação do Brasil na II Guerra Mundial, os cantores perderam momentaneamente a condição de protagonistas do rádio; o radialista Oswaldo Luiz, a respeito, escreveu que “só quem mora fora do Rio pode aquilatar do prestígio, da popularidade e da curiosidade que um 'astro' do microfone pode causar”; a respeito disto, ele assinalou que, embora ainda recebendo grandes salários, astros como Carmen Miranda, Chico Alves, Carlos Galhardo, Sílvio Caldas ou Orlando Silva já não atraíam mais tanto fãs como antes, com o surgimento das radionovelas, e os noticiários que falavam da guerra.[26] No ano seguinte, a revista A Cena Muda repetia:

"Que é feito dos famosos ídolos? Chico Alves, Orlando Silva, Galhardo, Silvio Caldas... O fim do ano está batendo à porta e esses rapazes – vá lá... – não dão um ar de sua graça nem procuram variar o repertório. Por isso mesmo – falta de esforço – foi que os grandes cartazes de outros tempos foram se eclipsando até ninguém mais se lembrar deles..."[27]

Em 1943, numa associação com César LadeiraAri Barroso e Almirante, tentou comprar uma emissora de rádio no Rio; o negócio não foi adiante porque os donos, à última hora, resolveram elevar o preço a valores exorbitantes.[28]

No começo de 1944 foi lançado o filme Berlim na Batucada, da Cinédia, onde representou um "maioral do morro"; a comédia não foi bem recebida pela crítica que, entretanto, poupou-lhe a atuação, dizendo que "não foi bem aproveitado".[29] Neste ano gravou, em homenagem aos pracinhas que lutavam na Europa, a Canção do Expedicionário, revelando seu patriotismo.[10]

Em 1945, Sergio Peixoto registrou sobre a carreira de Alves:

...quando o rádio começou a ganhar vulto, com o aparecimento das primeiras emissoras mercantilizadas e a venda de receptores em alta escala, a prazo longo e até a dez cruzeiros por mês; quando o povinho conseguiu, graças aos 'salomões', adquirir seu aparelho receptor para tomar conhecimento da existência dessa grande realização de Marconi, já Francisco Alves era o 'maioral' dentro do rádio carioca. Era o artista que dava as cartas, o mais popular, o mais ouvido e o mais caro de todos” — e emendava: “Francisco Alves, o 'Chico Viola', não passa, não cansa nem nada... Ele está aí, com o mesmíssimo cartaz: continua sendo o melhor, o primeiro, o popularíssimo e oouvidíssimo”.'[12]

De fato, Alves emplacou os maiores sucessos daquele ano, dando demonstração de sua persistência como primeiro dentre os cantores da época: as marchinhas “Que rei sou eu?”, “Isaura” e “Malaguenha”.[12]

O cantor, ao lado de um de seus "puro-sangue"

Para demonstrar sua previdência, Sergio Peixoto registrou que ele conseguira “bancar a cigarra sabida” ao saber usar a “mina de ouro” que era sua voz, e não dispersou os ganhos com as fãs ou a boemia, registrando que dele não se sabia nada desabonador; acrescia que conservava, com mais de vinte anos de carreira, o mesmo “timbre de voz que fez as delícias das morenas bonitas de seu bairro, quando, seresteiro adolescente, nem sequer sonhava um dia ganhar tanto dinheiro que daria para possuir um 'haras' com cavalos de corridas”.[12] Em 1948, ele declarou sobre seus cavalos puro-sangue que mantinha no Hipódromo da Gávea que o negócio era uma "barbada"; neste ano mantinha um bem sucedido programa de rádio.[30]

Em 1949, Chico era apresentado como um cantor que ainda se mantinha no topo e um “turfman”.[31] Neste ano, ele já não mais apresentava programa no rádio no horário nobre, o que motivou um editorial da revista A Cena Muda por Luiz Alípio de Barros a lamentar que os cantores estavam a perder seu espaço para programas de auditório de mau gosto ou para as novelas, com os seus horários modificados para os de menor audiência: “nos melhores tempos, o intérprete tinha o seu programa exclusivo, com um patrocinador e o absoluto apoio das organizações radiofônicos (...) Quem não se lembra dos velhos programas da magnífica Araci, de Chico Alves, Orlando Silva, Galhardo, Linda, Dircinha e de tantos outros nomes de grande expressão!"; ele continua o libelo afirmando que “abandonando os seus intérpretes, as emissoras brasileiras estão matando aos poucos a nossa música popular” e que “o rádio brasileiro precisa debater o mal que vem causando à nossa música”;[32]

Neste ano ele terminara o casamento com Célia e começou novo relacionamento com uma professora chamada Iraci Alves, muito mais nova que ele a ponto de mais tarde dizerem que ela tinha idade para ser sua filha; ficaram juntos secretamente até sua morte, e a revelação desta união mais uma vez coube ao David Nasser, na série de matérias biográficas que escrevera para "O Cruzeiro", publicada com alarde e impulsionando ainda mais as vendas da revista.[33]

O ano de 1950 começara promissor pra Alves, emplacando um sucesso no carnaval, como registrou A Cena Muda: "Francisco Alves é um cantor que sabe ser artista (...) Chico não se barateia ante o público, mesmo quando se apresenta diante de uma auditório que sente a presença marcante do 'Rei da Voz'. E apesar dos seus anos todos, Chico Alves sabe entusiasmar o público cantando 'Marcha dos Brotinhos”"[34] A mesma revista falava da “decadência” então vivida por Orlando Silva e ressalvava que “Silvio Caldas e Francisco Alves mantêm ainda a grande classe dos velhos tempos, o que equivale dizer que souberam conservar-se com a sua voz em forma e não se deixaram baratear ou vulgarizar”.[35] Em 1951 interpretou a marchinha Retrato do Velho, composta por Haroldo lobo e Marino Pinto, que tornou-se sucesso nacional e influiu na vitória de Getúlio Vargas na eleição (embora conste que o antigo ditador não tenha gostado de ser chamado de "velho").[36]

O retorno de Ceci

Perpétua Guerra Tutoia, em 1952

Chico cuidava bem dos negócios: tinha vários imóveis, uma loja em Miguel Pereira e os cavalos de corrida em parceria com o sócio Mário de Almeida (conhecido como “Mário Português”).[37] Ele ainda adquiriu vários apartamentos no Rio.[11]

Em 1950 sua primeira esposa — Perpétua Guerra Tutoia, ou "Ceci" — reapareceu em sua vida, de forma inusitada e inesperada: Chico Alves foi citado para responder a um processo que ela lhe movia, dizendo ser o pai de dois filhos adolescentes — Cristiano (de quinze anos) e Teresa (treze).[14]

O processo foi um choque para o cantor que, diante da repercussão que o mesmo ganhara na imprensa, e o fato de ter de recorrer para serem suas testemunhas aos mesmos amigos cujos conselhos recusara trinta anos antes, pensou mesmo em abandonar a carreira.[14] A imprensa dava destaque ao caso e o processo se arrastava, avançando pela década seguinte.[14]

Década de 1950, últimos dois anos

1951 foi o ano em que sua disputa contra a ex-mulher ganhou feições de verdadeiro drama público, e os detalhes eram expostos na imprensa; Perpétua se apresentava com o nome de casada – Perpétua de Morais Alves – uma vez que nunca se separou do marido; ela alegava que os dois filhos (Cristiano, nascido em 26 de abril de 1937 e Teresa, nascida em 12 de setembro de 1938) eram fruto de “encontros furtivos” que mantinha com o cantor, enquanto este contraditava que ela tinha “vida alegre” – fato que Perpétua não contestava.[38]

A ação de negativa da paternidade seguiu e em setembro soube-se que Alves alegava que seu casamento durara apenas nove dias: de 20 de maio a 2 de junho de 1920; para comprovar esta última data disse que a mulher deixara duas cartas ao abandoná-lo — uma dirigida a ele e outra à sua (dele) família; o cantor declarou então à imprensa que, além de anular os registros dos supostos filhos, entraria finalmente com uma ação de desquite.[38] O caso estava nas mãos do juiz Paula Alonso; no dia 20 de novembro uma audiência ouviu como testemunhas de Chico os amigos Mário Reis e David Nasser;[39] Ambos confirmaram a impossibilidade de Chico Alves ser o pai dos menores; nova audiência foi então marcada para o dia 26 daquele mês.[40] O juiz, à luz das provas e testemunhas, finalmente deu-lhe ganho de causa; Ceci, derrotada, voltaria novamente a aparecer após a morte do cantor e novo drama viria a se desenrolar na disputa pelos bens que ele deixou.[14]

Em setembro de 1952 Alves, que sempre procurava desenvolver atividades filantrópicas, gravara a "Canção da Criança", com a participação do coral formado por meninas da "Casa de Lázaro", em benefício da qual a renda desta seria revertida; foi para divulgar este trabalho que viajou à capital paulista para apresentar-se num show, pela Rádio Nacional, no Largo da Concórdia; ali dirigiu-se ao final à multidão que o escutava, fazendo um pedido para que todos ajudassem a infância.[10]

A morte trágica

Dizem que a gente deve saber a hora em que é bom abandonar o palco, mas eu não sei, eu não posso e eu não quero. Bem que eu gostaria, meu caro amigo, de fazer coincidir o último alento de vida com o último agudo de minha garganta.”
— Francisco Alves, citado por Nasser.[3]
Reconstituição da revista O Cruzeiro com um carro como o do cantor, em chamas.[nota 5]

Alves dirigia seu Buick voltando de São Paulo para onde fora se apresentar na Rádio Nacional, pela rodovia Presidente Dutra, ao lado do amigo Haroldo Alves, quando no atual km 102,5 Norte (antigo km 275,5), apenas 500 metros após a ponte sobre o Rio Una (que marca a divisa de Taubaté com Pindamonhangaba),.[41][42][43] por volta das 18:30 horas do dia 27 de setembro de 1952 (algumas fontes indicam 17:23 horas),[44][45] vindo em sentido contrário, um caminhão Austin dirigido por João Valter Sebastiani, do Rio Grande do Sul, chocou-se violentamente contra ele; com a pancada, o amigo foi jogado para fora do veículo do cantor e sobreviveu em estado grave, mas o artista sofreu morte imediata e, logo em seguida, o carro se incendiou e seu corpo ficou totalmente carbonizado, praticamente irreconhecível.[9]

Haroldo Alves foi socorrido por outro motorista que passou a seguir, e foi levado à Santa Casa de Taubaté em estado de coma.[9] A ocorrência foi atendida pelo delegado de Pindamonhangaba, município onde ocorreu o desastre,[nota 6] levando o corpo para aquela cidade onde, após diligências, foi finalmente identificado como sendo do “Rei da Voz”.[9]

Cruz instalada no Km 102,5 Norte da Rodovia Presidente Dutra (BR-116/SP-060), em memória de Francisco Alves que, nesse local, foi vítima fatal do acidente automobilístico de 27 de setembro de 1952

O cantor fizera uma apresentação na capital paulista, e teria no dia seguinte mais um programa pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, motivo da seu imediato retorno; a mesma emissora motivara esse deslocamento e o fato não passou despercebido da imprensa; seus colegas da emissora, tanto de São Paulo como do Rio, se deslocaram para Pindamonhangaba a fim de acompanhar os acontecimentos.[9]

Mais tarde Haroldo declarou: “O carro não vinha correndo muito. Nossa conversa era sobre o jogo América x Bangu. O Chico e eu somos americanos e o nosso time estava vencendo de 2 x 1. Vínhamos felizes, comentando os lances do jogo. De repente ouvi um estrondo horrível... e quando voltei a mim, estava no Hospital de Taubaté”.[46]

Segundo se apurou no inquérito — com a oitiva das testemunhas Gil Inácio de Andrade e Avelino Teixeira e do motorista do caminhão — o acidente fora causado por um terceiro veículo, um Mercury dirigido por Felipe Jorge Abunahman, um dentista, que vindo de uma via secundária (Estrada Municipal do Una Antônio Marçom), avançara de forma imprudente na pista Sul da Via Dutra, forçando o caminhão, que ia rumo a São Paulo, a desviar-se para a esquerda e o automóvel de Alves para a direita — de forma que ambos colidiram do lado do motorista, no acostamento da pista Norte.[10] Um desvio, por conta de obras no local, pode ter sido uma das causas do desastre.[43]

O local do acidente está assinalado por uma cruz vermelha, à qual foi afixado um violão.[10] A cruz começara a atrair uma multidão de fãs que, no meio da estrada, então a mais movimentada do país, criava embaraços ao tráfego e perigo aos motoristas; em 9 de outubro de 1952 o DNER determinou que a cruz fosse retirada, gerando protestos por parte do público e da imprensa. A cruz fora então levada para um depósito em Cachoeira Paulista, mas isto de nada adiantou: mal foi tirada uma e logo outra foi improvisada e a medida mostrou-se inócua.[47]

O professor Mário de Assis César, de Pindamonhangaba e proprietário do terreno no qual havia sido instalada a cruz, doou a faixa de terra, correspondente ao local do acidente, para a construção de um monumento em memória de Francisco Alves.[48][44] Passados alguns anos, a ideia do monumento não havia progredido e em 1957, Mário de Assis César criou no local, às suas expensas, a Escola Francisco Alves, “o único estabelecimento primário de Pindamonhangaba conhecido no Rio e São Paulo, porque ele enviou circulares para todas as rádios das duas capitais”, de acordo com uma notícia da época.[49] A Escola Francisco Alves, no entanto, já não era mais mencionada na imprensa local em fins da década seguinte.[44]

Velório e sepultamento

Seguindo para o Rio, o corpo do artista foi velado na Câmara Municipal; uma multidão de fãs e curiosos acorreu ao lugar, para se despedir da celebridade desaparecida, além de artistas, autoridades e um representante do então presidente Getúlio Vargas; mesmo durante a madrugada do domingo para a segunda-feira as filas diante do legislativo municipal não deixavam de crescer.[9]

No dia 29 de setembro, segunda-feira pouco após as 11 h da manhã, o cortejo seguiu rumo ao Cemitério de São João Batista, seguido por multidão cujo número não pode ser aferido; no registro do cronista do jornal O Dia:

Era impossível ter-se uma ideia exata do número de pessoas que formavam aquela fabulosa onda humana, que provocou colapso no trânsito, acompanhando os funerais de Francisco Alves. Cem, duzentas mil pessoas? Quem sabe ao certo, se a vista do repórter se perdia ao longo de ruas e avenidas da zona sul? Foi um espetáculo comovente, o coroamento das manifestações de dor popular pela morte trágica do Rei da Voz. Durante as últimas 48 horas, a cidade se transformou de tal modo, ligando-se ao destino de um artista por vinculo do mais profundo sentimentalismo, que até parecia não ter morrido apenas um seresteiro de alta classe, mas um místico de poderosa influência sobre multidão deslumbrada.[9]

O cortejo fúnebre seguiu com o caixão sendo levado numa viatura do corpo de bombeiros e, ao longo do percurso, as pessoas jogavam flores, a ponto de que logo estas cobriram totalmente o caixão;[10] Benjamin Costallat descreveu o momento: "A cidade, no seu luto, encheu-se, então, da voz de seu cantor, que nunca lhe pareceu tão bela, tão comovedora e tão triste, como se chorasse sobre si mesma o desaparecimento de seu dono, daquele bom e simples Chico Viola, filho dos morros, irmão do samba e amigo das serenatas e do luar".[9] Atrás do carro dos bombeiros e da multidão que o seguia, vinha uma grande quantidade de carros a levar flores e coroas; o trajeto seguiu da Câmara pela avenida Rio Branco, passando pelos bairros do FlamengoBotafogo e outros, sempre com o mesmo acompanhamento; foram duas horas de percurso.[9]

Durante o trajeto o povo cantava a música do ídolo que fora sucesso, "Adeus, Cinco Letras que Choram"; estimativas atuais dão conta de que meio milhão de pessoas acompanharam o cortejo.[4]

Tamanha quantidade de pessoas não coube no cemitério; apesar das medidas adotadas pela força pública, houve grande confusão, todos querendo ali adentrar e acompanhar a inumação do ídolo; os oradores que programavam um último discurso não o conseguiram; as cenas de comoção extrema se repetiam em homens, mulheres, velhos e crianças que muitas vezes caíam, sendo pisoteados, e muitos ataques nervosos exigiam o socorro; mesmo a urna funerária teve dificuldade para chegar finalmente ao jazigo, sendo necessário para isto o esforço de doze homens da Polícia Especial.[9] Apesar disto, as meninas atendidas pela Casa de Lázaro, em coro, entoaram a Canção da Criança enquanto seu corpo era baixado ao túmulo.[10]

Missas

No dia 3 de outubro foram mandadas celebrar várias missas em memória do cantor; o bispo de Santos D. Idílio Soares se recusara a fazê-lo, por ouvir dizer que o artista não tinha uma vida reta mas, consultando a Cúria Metropolitana do Rio, esta lhe respondeu que ele levara uma vida “normal” e assim poderia receber as exéquias católicas — o que o fez reconsiderar a negativa; em São Paulo mais de mil pessoas compareceram à cerimônia na Igreja de Nossa Senhora da Consolação ao final da qual a orquestra da Rádio Nacional executou A Voz do Violão, canção cuja letra fazia lembrar o cantor; já no Rio de Janeiro as missas ocorreram no dia 4: na tradicional Candelária teve início às 11:30 h com a participação dos corais da Rádio Nacional (“Cantores do Céu”) e do Teatro Municipal, que também apresentou sua orquestra, com transmissão ao vivo por várias emissoras de rádio da capital e do interior do país.[50]

Ao largo dessas cerimônias públicas, a viúva “oficial”, Perpétua de Morais Alves, em seu nome e dos dois filhos, mandou também celebrar uma missa no dia 4, na Igreja de Santa Mônica, no bairro do Leblon; na ocasião o jornalista David Nasser anunciou duas medidas: a primeira, que iria revelar publicamente o nome do pai dos dois filhos que Perpétua registrara como sendo de Chico Alves (dando-lhe um prazo de sete dias para ela mesma fazê-lo, espontaneamente); a segunda, que toda a vida do cantor seria objeto de uma biografia que iria publicar por O Cruzeiro e cuja renda seria revertida para a “Casa de Lázaro”; esta data marcou o início das disputas públicas e jurídicas entre Ceci, Nasser e parentes do cantor, que se arrastaria por vários anos.[50]

Eventos póstumos

Chora Estácio,
Salgueiro e Mangueira,
Todo o Brasil emudeceu,
Chora o mundo inteiro,
O Chico Viola morreu.

– Antonio Nássara, Wilson Batista, "Chico Viola"

Tanto a Rádio Nacional como o patrocinador do programa que Chico Alves mantinha ao meio-dia dos domingos decidiram mantê-lo, apesar de sua morte; na sua primeira irradiação a cantora Linda Batista, carregada de emoção, entoou a canção "Chico Viola", fruto da parceria de Nássara com Wilson Batista.[51]

Em Belo Horizonte a fã "Maria da Conceição", que caíra em depressão após a notícia, no dia 30 de setembro ateou fogo às próprias roupas; apesar de socorrida ainda com vida, veio a falecer no pronto-socorro.[46] Neste mesmo dia o carona do acidente, Haroldo Alves, foi finalmente transferido de ambulância para o Rio com a melhora de seu estado de saúde; ele ainda não sabia que o cantor tinha falecido.[46] Os jornais indicavam que ocorria uma peregrinação de pessoas de todas as classes sociais ao cemitério de S. João Batista ao túmulo 519 da ala 5, onde fora sepultado o cantor; os discos do artista nas lojas haviam acabado, dado o volume de vendas.[46] Foi neste mesmo dia que Perpétua de Morais Alves, a "Ceci", deu entrada no foro ao pedido de abertura do inventário dos bens deixados por Chico Alves.[46] Teria início ali mais um drama que se arrastaria nos próximos anos, percorrendo todas as instâncias do poder judiciário.

Disputa pela herança, revelações do passado

Após ingressar com o pedido do inventário junto à 4ª Vara de Órfãos e Sucessões onde fora nomeada inventariante, Perpétua também não descuidou do processo perdido pelo reconhecimento dos filhos como sendo do marido, e recorreu da sentença proferida na primeira instância.[47] David Nasser, o repórter que chamara para si a defesa da memória do amigo cantor, também não ficou infenso aos ataques: foi divulgado que ele devia uma importância superior a um milhão de cruzeiros ao amigo e ele atribuiu isto a uma campanha para o “desacreditar perante a opinião pública”; Nasser reagiu divulgando que possuía doze músicas em parceria com o cantor e que estas renderiam dois milhões mas, para que a metade deste valor não fosse para Ceci, jamais as deixaria serem gravadas.[47] Ele reiterava a ameaça de que divulgaria o nome do verdadeiro pai dos filhos atribuídos a Chico Alves.[47]

Como os bens do cantor ficaram restritos, o tratador de seu cavalo de corridas "Veludo" solicitou ao juiz Lourival Gonçalves, a quem cabia o inventário, autorização para que este pudesse disputar, em 12 de outubro, na corrida do Hipódromo da Gávea para a qual fora inscrito anteriormente — uma decisão que dependia da inventariante, Perpétua.[47]

Em carta de Chico: "quem é Perpétua"

No dia 15 de outubro Nasser cumpriu a ameaça e divulgou na imprensa uma carta de Chico Alves, onde este atribuía a paternidade dos filhos de Perpétua; na missiva o cantor dizia, a 12 de setembro daquele ano (quinze dias, portanto, antes de sua morte): “Turco, ando preocupado com a ação daquela (censurado) Perpétua, a Ceci, que quer mesmo impingir-me os seus filhos como meus, depois da separação de trinta anos. O pai verdadeiro do Cristiano e da Tereza, dois pobres inocentes cujo azar é serem filhos de uma (censurado), chama-se Ernesto Pestana”.[52]

Logo o nome e a figura do rico comerciante Ernesto Pestana ganhou as páginas dos jornais; o sensacionalista Diário Carioca exibia as fotografias de Pestana ao lado da de Cristiano e declarava serem evidentes as semelhanças; por outro lado a carta que Nasser divulgou atribuída ao cantor desqualificava ainda mais a ex-mulher: “Essa Perpétua é uma caluniadora e como você sabe quer o meu dinheiro, mas prefiro deixar de cantar e até botar fogo no meu violão, a dar dinheiro a essa (censurado) chantagista de uma figa.”[52]

A certeza do cantor se expressava na carta: “Nunca fui pai. A vida me deu muitas glórias, mas não me deu essa. Os médicos, mais ou menos em 1920, concluíram que num ligeiro acidente eu havia me tornado definitivamente estéril”; segundo se explicou, este “acidente” teria sido um chute que Chico recebera quando jogava futebol; acrescia o fato de não mais ter visto a esposa em trinta anos.[52]

Nasser revelou que Chico descobrira que as duas crianças tinham sido registradas por Perpétua em 1942, quando Cristiano tinha já cinco anos e a irmã Tereza, quatro; e mais, Ceci falseara dados ao juiz ao dizer que os dois filhos haviam nascido no Hospital da Ordem Terceira da Penitência que, em certidão, informara que ela jamais estivera lá em qualquer tempo, pois não fazia parte da Ordem e, nos dias do nascimento indicados para seus filhos, não houve qualquer parto no referido hospital.[52] Outras incoerências foram apontadas pelo jornalista, como indicar que o cantor tinha endereço incerto e ignorado quando já era figura de fama nacional; quando Perpétua e as testemunhas das respectivas certidões reconheceram ter se equivocado com o nome do hospital, indicaram duas outras casas de saúde também de forma falsa – ao juiz Perpétua teria atribuído tais erros ao fato de não querer que os filhos soubessem que nasceram de cesariana.[52]

Uma das duas testemunhas de Ceci era sua empregada, que disse ter ido trabalhar para ela “quando estava grávida”, em 1935; só que Cristiano nasceu dois anos mais tarde, o que levaria à conclusão de que a gestação começada em 1935 durara todo o ano de 1936 para ter o parto depois de mais quatro meses de 1937; a mesma testemunha declarou que vira o menino no colo de Francisco Alves e chamando-o de “papai”, mas a casa onde ela trabalhou para Ceci fora entregue ao proprietário quando a criança tinha apenas dois meses de idade – se o menino já falasse, então, seria um prodígio da natureza.[52]

Para obter todas as informações Chico Alves havia contratado os detetives da “Agência Argus”, que descobriram que, na época do nascimento de Cristiano, Perpétua convivia com Pestana, sócio de uma empresa exportadora de frutas; em 1937 Ceci assinava como “Perpétua Pestana”, e tanto ela como o companheiro declaravam residir à rua Garcia Dantas, nº 14, endereço que se verificou inexistente.[52] Descobriu-se, ainda, que moraram juntos com a mãe de Perpétua, que tinha quase o mesmo nome da filha: Perpétua Clara Guerra de Tutóia; depois, já grávida de Tereza, os dois se mudaram e fizeram registro policial de próprio punho do novo endereço; embora solteiro, Ernesto apresentara às autoridades Perpétua como sua esposa; já com os dois filhos o casal registrou-se em mais outros endereços junto a um filho que Perpétua teve antes de se casar com Chico Alves, chamado Jorge Bath – mas que se assinava “Jorge Alves” – numa movimentação rastreada que durou de 1937 a 1941, quando tomaram destino desconhecido, pois se separaram.[52]

Procurado por Chico Alves, Ernesto Pestana fugia, chegando mesmo a viajar para a Argentina a fim de não se encontrar com ele; com a morte de Chico, as irmãs Carolina e Ângela passaram a representá-lo na ação da negativa de paternidade, enquanto Ernesto Pestana achava-se mais uma vez desaparecido.[52]

Ceci contestada

A 21 de outubro a família do cantor divulgou que iria finalmente entrar com ação para destituir Perpétua do inventário; a fundamentação estava num artigo do código civil então vigente que dispunha não poderem fazer parte da sucessão herdeiros “que acusaram, caluniosamente, em juízo, ou incorreram em crime contra a sua honra”; com isto ficou-se sabendo que Perpétua acusara o cantor por duas vezes: numa como rufião e outra como ladrão, sendo o cantor absolvido em ambas. Se a tese fosse vitoriosa, Ceci ainda teria a esperança de vencer no recurso contra a sentença de primeira instância que negou a Chico a paternidade de seus dois filhos.[53]

No dia seguinte Perpétua renunciou à função de inventariante; com isto ela deixou de ser a administradora dos bens deixados pelo cantor e, para fazê-lo, declarou ao juiz que precisava sair do Rio de Janeiro a fim de se refazer do choque que sofrera com a morte do artista.[54] Enquanto Perpétua fazia uma retirada estratégica, Pestana, o atribuído verdadeiro pai, continuava desaparecido; a imprensa descobrira que ele era bastante rico, um dos mais abastados comerciantes do Rio, contando até com navios em seu patrimônio; os advogados das irmãs de Chico Alves pretendiam realizar exames de sangue comparativos entre ele e os filhos de Perpétua, para assim ajudarem a dirimir a questão da paternidade.[54]

Com a renúncia de Ceci, o juiz nomeou novo inventariante o advogado Luiz MacDowell; no dia 24 o novo administrador assinara o compromisso, e até aquele momento não se sabia qual o valor atribuído ao espólio.[55]

A disputa se arrasta; o Supremo decide

No começo de 1953 as irmãs Ângela e Carolina, e o sobrinho Afonso Alves do Amaral, ingressaram finalmente com uma ação para afastar Perpétua da sucessão de Chico; com nome o termo jurídico “indignidade”, a ação foi proposta sob os argumentos revelados ainda no ano anterior de que ela havia acusado caluniosamente o falecido.[56]

O processo continuou se arrastando; em 1955 o juiz da 4ª Vara de Órfãos e Sucessões deu um despacho onde vedava a Perpétua retirar dos bens a importância de cento e vinte mil cruzeiros; na época divulgou-se que os bens do cantor haviam sido estimados em mais de dois milhões de cruzeiros, dos quais um milhão e duzentos mil eram valores dos direitos autorais recolhidos com a venda de discos e depositados em bancos.[57][nota 7]

Em abril de 1957 o caso finalmente chegou à Suprema Corte, depois de perdas e vitórias de Perpétua e das irmãs do cantor em sucessivos recursos impetrados a partir da 4ª Vara de Órfãos e Sucessões; ali, no STF, finalmente foi decidido que, embora Francisco Alves fosse favorável ao desquite, nunca o intentara e, portanto, deu ganho de causa àquela que era, pela lei, sua viúva e única herdeira de seus bens: Perpétua, que vivera alguns dias com Chico Alves, tornou-se senhora de todo o patrimônio que acumulara e dos direitos sobre suas músicas.[58]

A cobertura feita por O Cruzeiro com as revelações de Nasser rendeu ao todo quarenta e cinco páginas e uma ampliação da tiragem da revista para 550 mil exemplares por semana: um recorde em se considerando que o país tinha apenas 50 milhões de habitantes, dos quais 30% era composta por analfabetos.[33]

Produção artística

Segundo a pesquisadora Egly Colina Marín, "Francisco Alves deixou centenas de canções que, no presente, são objeto de atenção por estudiosos e investigadores culturais de todas as latitudes."[16][nota 8]

Sua longa carreira como artista foi de importância capital para a formação de muitos dos gêneros da música popular brasileira; sua trajetória coincide com o desenvolvimento no país de várias novas tecnologias até então inexistentes, e com momentos sociais importantes que se refletem na manifestação musical: surge o rádio como fenômeno de divulgação de massa e também a indústria fonográfica; no plano cultural o rápido crescimento das cidades do período faz com os ritmos musicais tipicamente urbanos venham a se formar, impulsionados ainda mais pelas festas populares (como o carnaval) e pelo sucesso do teatro de revista e do cinema — tudo isto a sobrelevar seu papel na história musical do Brasil.[4]


Filmografia

Enciclopédia Itaú Cultural dá como Francisco Alves tendo participado do filme de 1931, "Coisas Nossas";[4] Isto contudo não se repete na biografia do autor, de Ronaldo Aguiar,[14] nem na ficha catalográfica do filme da Cinemateca Brasileira que, entretanto, reporta seu nome como integrante do elenco segundo Araken Campos Pereira Júnior (com a ressalva de que o autor não indica suas fontes).[59] A Cinemateca diz ser este um filme musical, e cita Jean-Claude Bernardet que disse ter a película inaugurado "...no Brasil o filme revista e marca o início do relacionamento rádio-cinema, tornando-se pioneiro de um filão importante que se desenvolveria nos anos 30 no Rio de Janeiro".[59]

A revista A Scena Muda, que já o criticara no filme Laranja da China de 1940,[24] voltou no ano seguinte a dizer que o cantor surgia "fantasmagórico" e que "parece ter saído de um cemitério" em Céu Azul.[60]

Apesar de Coisas Nossas trazer números musicais, Alberto Dines disse que o filme “Alô, Alô, Carnaval” (1936) é considerado o primeiro musical brasileiro; informa que teve grande aceitação do público e trazia no elenco Chico Alves, Barbosa Júnior, Mário Reis, Almirante, Carmen Miranda e o iniciante Oscarito; foi reapresentado numa festa em setembro de 1952 (pouco antes da morte de Alves) para comemorar seu pioneirismo; Dines escreveu, na época: “Nunca vimos um filme brasileiro tão bem recebido, tão aplaudido no seu decorrer e ao terminar”.[61]

Teatro

Participou, no teatro musical, da peça “Da Favela ao Catete”, de autoria de Freire Júnior.[4] A apresentação burlesca estreou em 1935 e teve as músicas compostas por Hervé Cordovil.[62]

Autobiografia

Em 1936 Chico publicou uma autobiografia intitulada "Minha Vida", publicada no Rio de Janeiro pela Editora Brasil Contemporâneo.[4]

Homenagens

Brasão da cidade paranaense, com um violão ao centro

Já nos dias seguintes ao acidente a Câmara de Vereadores de São Paulo apreciou projetos alterando o nome da antiga "rua 16" para Francisco Alves, e outro autorizando fosse feito um busto do cantor numa das praças da cidade.[46]

Colonizada a partir da década de 1950, ainda pertencendo a Iporã, em 24 de agosto de 1972 a lei estadual paranaense nº 6.314 emancipou o município com o nome que homenageia o cantor, sendo instalada apenas em 1 de fevereiro de 1977; Francisco Alves é também chamada pelas pessoas de "Chico Viola"; o nascidos ali são os "alvenses".[63]

Em 1974 foi inaugurado o Museu Francisco Alves em uma edificação popularmente conhecida como "Castelinho", em Miguel Pereira, cidade onde Francisco Alves possuia uma residência para seus momentos de descanso. Situado no centro da cidade, dentro do Jardim Municipal Francisco Marinho Andreiolo, o museu traz importantes peças pessoais do artista, dentre as quais em destaque está seu violão. Uma rua da cidade também recebeu o seu nome.[8]

Turistas visitam a Casa do cantor brasileiro Francisco Alves, na cidade de Miguel Pereira — interior do estado do Rio de Janeiro — na década de 1960

Músicas

Além de "Chico Viola" de Nássara e Wilson Batista lançada pouco após sua morte,[51] o samba-canção "Uma Cruz na Estrada" foi composto para homenagear o cantor, de autoria de Irany de Oliveira e Ari Monteiro; foi gravada por Carlos Galhardo em 1953, mas só foi lançada no ano seguinte.[64] Também em 1954 foi lançada, na voz de Nelson Gonçalves, o samba "Francisco Alves" de autoria de David Nasser e Herivelto Martins,[65] cuja letra dizia: "Até a lua do Rio/ Num céu tranqüilo e vazio/ Não inspira mais amor/ O violão desafina/ Porque chora em cada esquina/ A falta do seu cantor".[11]

Também de Herivelto e Nasser é "O Maior Samba do Mundo" em cujos versos dizem que se tivessem o piano de Ary Barroso, um violão de Noel Rosa, a pena de Orestes Barbosa ou o “vozeirão” de Nelson Gonçalves, concluem: "E o Chico Alves/ Voz de pássaro cantor/ O maior samba do mundo/ Eu faria pro meu amor", gravado por Linda Batista em 1959, e depois por Dora Lopes e outros.[66][11]

Cinema, televisão e teatro

O filme Chico Viola não Morreu já em 1955, com roteiro de Gilda de Abreu, traz a biografia do artista, que é interpretado por Cyll Farney, numa atuação que lhe rendeu os prêmios de melhor ator em dois festivais de cinema brasileiros da época.[67] Farney dubla sete canções de Alves, seus maiores sucessos;[14] a atriz Eva Wilma também foi premiada com um Saci por sua atuação e foi a melhor fotografia, no Festival do Distrito Federal daquele ano.[67]

documentário “Uma Cruz na Estrada”, dirigido por Jorge Ileli em 1970, reconta a carreira e a morte do cantor, em curta-metragem.[68] A Cinemateca voltou a exibi-lo, em 2005.[69]

Em 1998, ano do centenário do cantor, o musical "Chico Viola" foi exibido de 2 a 27 de setembro (data da morte), trazendo o ator Jandir Ferrari no papel do cantor; o espetáculo foi apresentado no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, sob direção de Luiz Arthur Nunes.[11]


DISCOGRAFIA 


A extensa produção de Alves teve pelo comerciante de discos e colecionador paulistano Walter Teixeira Alves a reunião de toda ela, muitas consideradas raridades; por instância de Roberto Gambardelli, também colecionador, em 1988 ele publicou a obra "Discografia de Francisco Alves" onde, além de explicar que o papel de uma discografia transcende o simples relacionar tedioso daquilo que o artista gravou, é principalmente "o instrumento básico para todo estudo sério da música popular. A discografia elimina as dúvidas, previne os erros, baliza o tempo e pondera os valores artísticos"; na obra Teixeira Alves traz, ainda, uma pequena biografia do artista e explica como se faziam as gravações nas décadas de 1920 e 1930.[1]

Na década de 1920 Alves gravou para uma série de discos pelo selo Odeonette que trazia num dos lados uma canção de um cantor e no verso a orquestração de alguma canção popular; nesta série Chico Alves gravou doze álbuns com 15 cm de diâmetro, em 78 rotações.[2] O compositor Almirante contava que, a partir de 1928, Alves lançou suplementos pela Parlophon paralelos aos discos pela Odeon; enquanto nesta usava o nome real, naquela usava o apelido de Chico Viola; isto gerou confusão mesmo em pessoas do ramo artístico, que debatiam qual dos dois cantores seria o melhor: uns diziam ser Francisco, outros o Chico — discutindo sobre a mesma voz e o mesmo cantor.[3]

Era considerado um filtro de boas canções; quando um compositor lhe oferecia algo de sua lavra para que gravasse e era por ele rejeitado, o autor escondia o fato para que seu trabalho não fosse desvalorizado; tinha fama de ter comprado as músicas que muitas vezes assinava como compositor, mas a realidade é que consagrou muitos autores anônimos; fez dueto com o também cantor Mário Reis, que terminou em 1933 de forma pouco amistosa, e chegou a controlar a produção de artistas como Noel Rosa.[4]

Em 1987 várias de suas gravações foram relançadas, antecipando o centenário de nascimento do cantor, no ano seguinte; pela BMG Ariola várias de suas músicas compunham uma caixa de clássicos da MPB; A Collector's do Rio de Janeiro relançou parte de sua obra em seis CDs; e o selo Revivendo da cidade de Curitiba outros três.[5]

78 rotações

1919 a 1930

Francisco Alves recebe fãs.
AnoSinglesGravadora
Lado ALado B
1919Alivia estes olhosPopular
1919Fala, meu louroPopular
1919O pé de anjoPopular
1924Mademoiselle cinemaOdeon
1924Não me passo pra vocêOdeon
1924MiúdoOdeon
1927Nego D'AngolaCangote cheirosoOdeon
1927Eu não era assimVou te deixarOdeon
1927Cangote raspadoOdeon
1927Não quero saberOdeon
1927JuritiA verdade e a mentiraOdeon
1927OlgarinaMágoa sertanejaOdeon
1927Os canoeiros do norteCanção do seresteiroOdeon
1927Canção antigaNa roçaOdeon
1927Quem não chora não mamaOdeon
1927PaquitaOdeon
1927Uma noite de festas na roçaSogra versus CentralOdeon
1927Salve JaúOdeon
1927Vem cá JaúDê no quer derOdeon
1927Asas do JaúPé de elefanteOdeon
1927Nosso JaúOdeon
1927Fogo no meu coraçãoOdeon
1927Passarinho do máOdeon
1927O cantor do jazzorquestraçãoOdeonette
1927Rosa, meu bemorquestraçãoOdeonette
1927Pinta, pinta melindrosaorquestraçãoOdeonette
1927Morena do sertãoorquestraçãoOdeonette
1927Bambo-bambuorquestraçãoOdeonette
1927Samba da madrugadaorquestraçãoOdeonette
1927Chuá, chuáorquestraçãoOdeonette
1927Nosso JaúorquestraçãoOdeonette
1927Ai, seu MéorquestraçãoOdeonette
1927Fumando esperoorquestraçãoOdeonette
1927Braço de ceraorquestraçãoOdeonette
1927Seu Julinho vemorquestraçãoOdeonette
1927O que é nossoOdeon
1927Samba da madrugadaOdeon
1927Cassino MaxixeOdeon
1927Ora vejam sóOdeon
1927Ai Lelé lé léOdeon
1927Foi você quem me deixouOdeon
1927Você quebrouOdeon
1927Não zombes de mimOdeon
1927GracinhaOdeon
1927PombinhosOdeon
1927GeladeiraOdeon
1927Só na Bahia temOdeon
1927TrepadeiraOdeon
1927Samba charlestonOdeon
1927Mau olhadoOdeon
1927ManequinhoOdeon
1927Beijos em excessoOdeon
1927Pequei em te beijarOdeon
1927Só para gozarOdeon
1927Sonhei contigoOdeon
1928A favela vai abaixoCuscusOdeon
1928Ai BalbinaJosefinaOdeon
1928Nega no fogãoDeixa elaOdeon
1928Não quero saber mais delesCiúme loucoOdeon
1928Não quero saber mais delaMe faz carinhosOdeon
1928Sete flexasSamba de negoOdeon
1928Piscando o olhoTentaçãoOdeon
1928O bobalhãoA malandragemOdeon
1928É no LeblonAi, pirataOdeon
1928EnlevoAmar a uma só mulherOdeon
1928CaridadePesadeloOdeon
1928CoisinhasJá sei porque é...Odeon
1928Ai, eu queriaEu vou chorarOdeon
1928TerezaEu fui no mato crioulaOdeon
1928Foi vocêXô canarinhoOdeon
1928Ora vejam sóPuxa, puxaOdeon
1928ZezéTua saia é curtaOdeon
1928Festa de brancoDois amores é mentiraOdeon
1928CurióEsfregadoOdeon
1928Não se metaLavadeiraOdeon
1928Não posso comer sem molhoBeijos à beçaOdeon
1928Foram-se os malandrosÉ bebé (Não faltava mais nada)Odeon
1928Por que falas tanto?CabrochaOdeon
1928Tira cangaTire o meu nome do meioOdeon
1928TesourinhaSou do meu bemOdeon
1928Sonho de gaúchoCampanha do sulOdeon
1928SílviaAracaOdeon
1928Meu suquinhoQue pequena levadaOdeon
1928PiãoCateretê dos almofadinhasOdeon
1928Toada sertanejaMalandrinhaOdeon
1928Passarinho bateu asasO perfume da crioulaOdeon
1928Rio de JaneiroOdeon
1928Mal-aventuradoSuspirandoOdeon
1928LolóVou te buscarOdeon
1928SofiaNinguém se entendeOdeon
1928Oh! ColetteFoi um sonhoOdeon
1928Fim de romanceCopacabanaOdeon
1928Eu quero é notaEu vou te abandonarOdeon
1928SertanejaQuanto sofriOdeon
1928A voz do amorCaprichosaOdeon
1928TraiçãoLeão da noite (Flor de sangue)Odeon
1928Noite de ReisPor quê partistesOdeon
1928SaudadesAo luarOdeon
1928Gauchita formosaSapotiOdeon
1928Foste, não és mais...MisteriosaOdeon
1928Aves sem ninhoCanção da noiteOdeon
1928RuanaBarbuleta, barbuletaOdeon
1928Adios mis farrasOdeon
1928Castelo de luarMeu pensamentoOdeon
1928Porque me haces sufrirAmanhãOdeon
1928Meu sabiáSamba de verdadeOdeon
1928Lulu... acende a luzNão é isso que eu procuroOdeon
1928Rainha... das crioulasSonho revelador!...Odeon
1928Coração de MariaSupremaOdeon
1928Cabocla do sertãoRancho vazioOdeon
1928Seu VoronoffNão faço fé contigoOdeon
1928Quem eu deixar não quero maisQuem me dera morenaOdeon
1928Eu vivo assimEternaOdeon
1928NuvensExaltaçãoOdeon
1928Olhos japonesesSerenata de amorParlophon
1928O gaúchoUma noite de serenataParlophon
1928CasanovaDança meu bemParlophon
1928É meu cantarPeriquitoParlophon
1928A voz do violãoAté as flores mentemParlophon
1928Visão de amorCafunéParlophon
1928RecordandoAh! Tudo passa na vidaParlophon
1928Que vale a nota sem o carinho da mulherParlophon
1928Esta noche me emborrachoAdios muchachosParlophon
1928My blue heavenParlophon
1928LembrançasParlophon
1929Que infeliz sortePra mim chegaOdeon
1929FavoritoOutonoOdeon
1929ZorôVem comer do meu anguOdeon
1929Dor de recordarA voz do violãoOdeon
1929É no toco da goiabaVão por mim (Harmonia, harmonia)Odeon
1929Eu beijo a sua mão madameGoes whoOdeon
1929Meu barco é veleiro-Benedito PretinhoVadeia cabocolinhoOdeon
1929Goes whoSome sweet day (Um belo dia)Odeon
1929Why can't you?I'm in seventh heavenOdeon
1929É sopa (17 a 3)Golpe erradoOdeon
1929True heavenOdeon
1929Eu queria saberMulataOdeon
1929Já me esqueci de vocêSonheiOdeon
1929Pagan love songMy mother's eyesOdeon
1929BreakawayThat's you babyOdeon
1929Casinha de sapéSegura o boiOdeon
1929Yo te amo (Te quero meu amor)JeannineOdeon
1929Eu beijo a sua mão madameRaquelOdeon
1929Broadway melodyCoquetteOdeon
1929Casa do paulistaEu quero uma mulher bem pretaOdeon
1929Eu quero falar (Seu Julinho)Para mim perdeste o valorOdeon
1929Arranje uma pequenaOdeon
1929Torna a vortáRio chicOdeon
1929MalandroNão sou baúOdeon
1929Entre dois fogosAngelinaOdeon
1929Coração volúvelMulher venenosaOdeon
1929Yo te soñe!Sonhar é viverOdeon
1929MarionOdeon
1929Eu quero sossegoTomaraOdeon
1929Bambo-bambuMeu amor, te juroOdeon
1929Seu Julinho vemMorena advinha que eu gosto de tiOdeon
1929Mulher enigmaViver sem amar alguémOdeon
1929A dança rubra (Um dia qualquer)FalsidadeOdeon
1929Vem colombinaAmizadeOdeon
1929Sapo cururuO preto velho CambinaOdeon
1929Só quero amor assimCasá é bãoOdeon
1929Não dou palpiteVai ou rachaOdeon
1929Tereza, TerezaDigo-te a verdadeOdeon
1929Lua novaBeija-florOdeon
1929Eu quero uma mulherMalabáOdeon
1929Zum, zum, zum, meu violãoDiz o que temOdeon
1929CarnavalCafajesteOdeon
1929Adeus mulataChiquinha meu amoireOdeon
1929Eu não sou bichoDando o valor (Samba do afeto)Odeon
1929Amor profanadoNunca maisOdeon
1929Coração de borboletaSem a nota é que os carinhos têm valorOdeon
1929É sim senhorSeu doutorOdeon
1929CariocadasMeu passarinho...voouOdeon
1929Olha o boiOlhos negrosOdeon
1929Água de cocoOdeon
1929Isto é o BrasilOdeon
1929Estás com o dinheiro aíDesprezo de uma noivaParlophon
1929Amor na PenhaQuem cala consenteParlophon
1929DéaParlophon
1929ChiquinhaUm beijo não é pecadoParlophon
1929Nas serras mineirasParlophon
1929O cantor do jazzParlophon
1929Que noite!... E que pequenaEncontrei a felicidadeParlophon
1929Não posso negarNão quero mais mulherParlophon
1929Rosa desfolhadaLágrimas ocultasParlophon
1929Só minhaParlophon
1929Paradise and youArranje uma pequenaParlophon
1929AuroraMariposaParlophon
1929CaboréIvoneParlophon
1929Almas simplesMeu BrasilParlophon
1929És felizBahiaParlophon
1929Uma coisinha gostosa chamada amorIn old Tia JuanaParlophon
1929ChiribiribiLamentos de um matutoParlophon
1929FeiosaMeu benzinhoParlophon
1929Mulher enigmaMadre HelenaParlophon
1929Isto não é amarPor que me abandonasParlophon
1929ChiquitaEu não posso dar-te mais que amorParlophon
1929Comigo não, violãoNão venhas assimParlophon
1929Psiu! Psiu!A família é boaParlophon
1929Meiga florNão juresParlophon
1929Seu doutorNão posso maisParlophon
1929Cateretê paulistaRadiosaParlophon
1929Angela miaArleteParlophon
1929Tenho medo de vocêMal me queresParlophon
1929O bolinaPassa por láParlophon
1929Diz meu amorO feitiço é um fatoParlophon
1930MiamiEscrita complicadaParlophon
1930SaudadeJureiParlophon
1930Negando um lamentoAnjo pecadorParlophon
1930Canção do vaqueiroCarta de amorParlophon
1930Oh seu coronelCorpo sadioParlophon
1930Não nasci para trabalharParlophon
1930CoraçãoE diremo-nos adeusParlophon
1930SapequinhaCeia dançanteParlophon
1930FavoritoOutonoParlophon
1930Dor sem consoloRapsódia de amorParlophon
1930Sempre é tempo de amar
(Anytime's the time to fall in love)
Varrendo as nuvens
(Up on top of rainbow sweeping the clouds away)
Odeon
1930Deixa essa mulher chorarQuá, quá, quáOdeon
1930Talento e formosuraBem-te-viOdeon
1930Hino a João PessoaOdeon
1930Canto dos vagabundosSe eu fosse reiOdeon
1930A mais bela portuguesaTu já foste boaOdeon
1930Valsa do rei vagabundoSomente uma rosaOdeon
1930Se estou sonhando (If i'm dreaming)SallyOdeon
1930Dor de uma saudadeNão preciso de vocêOdeon
1930GaúchaOdeon
1930Prá que casáArranjei outraOdeon
1930KalatanTristeza havaianaOdeon
1930Se você me quisesseSerenata do pastorOdeon
1930Miss...ElâniaRosinhaOdeon
1930Sou da SaúdeQuando souberes amarOdeon
1930Um filme falando de você
(If i had a talking picture of you)
Turn on the heatOdeon
1930Por que será?Ave de rapinaOdeon
1930Prá sinhozinho drumiNo Peji de OxóssiOdeon
1930A cruz das estrelasOdeon
1930Porque gosto de vocêSai da chuvaOdeon
1930Ô-baDe tangaOdeon
1930Não se esqueça de seu bemSe meu amor me vêOdeon
1930Falsa mulherPalhaçoOdeon
1930Não quero maisAi! Meu bemOdeon
1930Melindrosa futuristaOdeon
1930Vem cá, neném!Digo jáOdeon
1930Dá nelaNo reinado da alegriaOdeon
1930MarianneAddaOdeon
1930SaudadesCaboquinhaOdeon
1930Boquinha de anjoEu já te vi com alguémOdeon
1930Quando a mulher não querEssa nega é da BahiaOdeon
1930Olha a pombaÉs ingrata...mulherOdeon
1930Too wonderful for wordsOdeon
1930Oo-la-la-la-laThe right kind of manOdeon
1930Vai recolherCadeirinhaOdeon

Década de 1930

AnoSinglesGravadora
Lado ALado B
1931Oh! DoraOdeon
1931Não é nada dissoVou me regenerarOdeon
1931Marchinha do amorLiberdadeOdeon
1931PalpiteMulher de malandroOdeon
1931Sinto saudadeRi para não chorarOdeon
1931Horas de amorLenitaOdeon
1931SergipanaOdeon
1931É bom evitarOdeon
1931Mandinga de negoOdeon
1931Dançando com lágrimas nos olhosTormentoOdeon
1931Nem assimAnda, vem cáOdeon
1931Olhos fataisMeu pensamentoOdeon
1931Eu bem seiFeiticeiroOdeon
1931DeusaAlma perversaOdeon
1931ManoelinaOdeon
1931SozinhoNão te deixareiOdeon
1931Cena cariocaFolhas murchasOdeon
1931Hino da legião mineiraOlhos fataisOdeon
1931PríncipeTrovas de amorOdeon
1931ArrependidoO que será de mimOdeon
1931Onde tudo sorriMeu pensamentoOdeon
1931Cena caipiraOdeon
1931Apanhando papelIroniaOdeon
1931Dona AdelaideRiso fingidoOdeon
1931Ri palhaçoArturinhaOdeon
1931Frevo pernambucanoA vida é boaOdeon
1931Yira...Yira...Diz que simOdeon
1931Que me importaPadeceOdeon
1931Verbo serMeu batalhãoOdeon
1931Não háSe você jurarOdeon
1931Nem é bom falarOlê-leôOdeon
1931O nosso amor acabouLua novaOdeon
1931De mansinho entre as tulipas
(Tip-toe thru' the tulipas)
Pintando as nuvens com o sol
(Painting the clouds with sunshine)
Odeon
1931SonheiVocê gosta de mimParlophon
1931Gosto, mas não é muitoAmarParlophon
1932A razão dá-se a quem temRirOdeon
1932A saudadeA despedidaOdeon
1932Ando cismadoÉ pesoOdeon
1932Uma hora contigoSeremos sempre namoradosOdeon
1932Meu companheiroDestinoOdeon
1932Não faz mal amorNuvem que passouOdeon
1932Tristezas não pagam dívidasPara me livrar do malOdeon
1932Valsa do beijo (The kiss waltz)A vida é tudo...tudo para vocêOdeon
1932Salada chinesaAmor, delicioso amorOdeon
1932Perdão, meu bemAntes não te conhecesseOdeon
1932MarianinhaSol do coraçãoOdeon
1932Tudo tem fimGandaiaOdeon
1932É preciso discutirFoi em sonhoOdeon
1932Você me enlouqueceViena, cidade dos meus sonhosOdeon
1933Brinca coraçãoEstrela da manhãOdeon
1933Só por tiAdeus mocidadeOdeon
1933Pálida morenaOuve esta cançãoOdeon
1933Nunca dei a perceberNão digasOdeon
1933Abelha da ironiaCiúmeOdeon
1933Quem não quer sou euNão tem traduçãoOdeon
1933Diga-me esta noite (Tell me tonight)Amor imortalOdeon
1933Você 'so... mente (c/Aurora Miranda)Dona de minha vontadeOdeon
1933Feitio de oração (c/Castro Barbosa)Desacato (c/Castro Barbosa e Murilo Caldas)Odeon
1933Garimpeiro do Rio das GarçasCanção do barqueiroOdeon
1933Cai, cai, balãoToque de amorOdeon
1933Sei que vou perderPra esquecerOdeon
1933TabuadaMês de MariaOdeon
1933Vai cavar a notaQual foi o mal que eu te fiz?Odeon
1933Somente amigosA saudade não querOdeon
1933Divina damaOdeon
1933Mas como...outra vez?Fita amarelaOdeon
1933FormosaPrimeiro amorOdeon
1933Estamos esperandoTudo que você dizOdeon
1934Meu natalLinda mulherVictor
1934Amor, muito amorVai meu bemVictor
1934Valsa da ChampagneQue lindo dia vamos terVictor
1934Durmo sonhandoReclamando a sorteVictor
1934AdeusA mulher que ficou na taçaVictor
1934Olha pra luaHás de me pedir perdãoVictor
1934Volta para o meu amor...Você veio sonhando para mimVictor
1934Não sei...RomanceVictor
1934CarneirinhoBalão do amorVictor
1934Vivo deste amorQuero morrer cantandoVictor
1934Sob uma cascataPaisagens da minha terraVictor
1934Dei-te meu coraçãoPor teu amorVictor
1934CabocaPalhaço do luarOdeon
1934Dois amoresMaria RosaOdeon
1934AnistiaNegra também é genteOdeon
1935Até o solNa virada da montanhaVictor
1935Um caboclinhoMeu sonho morreuVictor
1935Valsa do RioA canção da fonteVictor
1935A vida é sempre a mesma coisaFui eu o seu primeiro amor;
Entre nós dois
Victor
1935Você chorouHei de ver-te um diaVictor
1935Era uma linda tardeChoro, simVictor
1935Sobe meu balãoMeu São JoãoVictor
1935Olhando o céu todo enfeitadoMais um balãoVictor
1935Ilha de CapriTeus beijosVictor
1935Minha serenataReminiscênciaVictor
1935Moreninha sweepstakeA melhor das trêsVictor
1935Ama-me uma vezNão deixo saudadeVictor
1935Garota colossalO sereno é meu castigoVictor
1935Foi ela!...Grau dez...Victor
1935Amores de estudanteMeu Buenos Aires queridoVictor
1936Lá vem ela chorandoChegou a sua vezVictor
1936Uma furtiva lágrimaIaiá do balacuchêVictor
1936Guarda no coraçãoA canção que eu fiz para vocêVictor
1936Vai meu sambaTu deves ser das taisVictor
1936Pelo amor que eu tenho a elaRioVictor
1936Ela disse adeusDor ocultaVictor
1936Reflorir da minha vidaO samba que eu queriaVictor
1936Pula a FogueiraLonge dos olhosVictor
1936FavelaJá não és mais aquelaVictor
1936Boa noite amorLembro-me aindaVictor
1936Me queimeiÉ bom pararVictor
1936Marido da EvaA.M.E.I.Victor
1936CadênciaComprei uma fantasia de pierrôVictor
1936Sem elaCachopaVictor
1936Manhãs de solUma porta e uma janelaVictor
1937Ando sofrendoFoi vocêOdeon
1937Quero uma boêmiaMulata cor de jamboOdeon
1937P. R. VocêMeu amor me abandonouOdeon
1937Meu sonho de criançaPorque você voltouOdeon
1937Tua partidaVictor
1937Serra da Boa EsperançaSó nós dois no salão (e esta valsa)Victor
1937Misterioso amorCanção do meu amorVictor
1937Parei com elasO que é que você quer mais?Victor
1938Meu primeiro amorNada de novo na frente ocidentalOdeon
1938Numa noite de céu estreladoSonhei com teus carinhosOdeon
1938Ainda uma vezBarcarolaOdeon
1938Boa noite senhoritaMinha históriaOdeon
1938Pra que mentirEncantamentoOdeon
1938SevilhanaNapolitanaOdeon
1938Saudade, esperançaMeu romanceOdeon
1938Quero voltar a ser felizA única lembrançaOdeon
1938Ui, que medo eu tive!JúliaOdeon
1938Carnaval na minha terraFiquei loucoOdeon
1938De déu em déuEla sabe e não dizOdeon
1938Como as ondas do marVão pro Scala de MilãoOdeon
1939Dona RitaTriste pierrôColumbia
1939Dama das caméliasEla teve razãoColumbia
1939Brasil!Acorda Estela!Columbia
1939Aquarela do Brasil IAquarela do Brasil IIOdeon
1939A voz do violãoValsa dos namoradosOdeon
1939Vou-me embora amorQue tem você?Odeon
1939Só você me faz viverCruel destinoOdeon
1939Nossa melodiaE não esqueço de vocêOdeon
1939Diga-me!Minha adoraçãoOdeon
1939Rema, rema (Barqueiro sem voga)Quem mandou você beberOdeon
1939Fica de láPaz e amorOdeon
1939Ora bolasNunca choreiOdeon
1940Se o nosso amor ainda existisseJá fui felizOdeon
1940Onde o céu é mias azulA flor e o ventoColumbia
1940Fiz um sambaTermina assim este romanceColumbia
1940Em sonho ouviOh! Que dia tão felizColumbia
1940No meu tempo de criançaEu garanto...Columbia
1940Sob a máscara de veludoAo ouvir esta canção hás de pensar em mimColumbia
1940Linda judiaCéu e marColumbia
1940Linda mexicanaSolteiro é melhorColumbia
1940Quem chorou fui euDespedida de MangueiraColumbia

Década de 1940

AnoSinglesGravadora
Lado ALado B
1941Alô, alô AméricaJá passava das onzeOdeon
1941Terra do sambaUm agradinho é bom!...Odeon
1941PerfídiaEu sonhei que tu estavas tão lindaOdeon
1941Esmagando rosasVivo bem na minha terraOdeon
1941Cidade de São SebastiãoDizem que eu sou um mau rapazOdeon
1941Canta Brasil ICanta Brasil IIOdeon
1941Jalousie (Ciúme)Valsa da despedidaColumbia
1941A dança do funiculiAdeus mocidadeColumbia
1941Poleiro de pato é no chãoEu não posso ver mulherColumbia
1941Até a voltaNuma noite assimColumbia
1942Se ela sente saudadeElaOdeon
1942O "V" da vitóriaMeu país verdadeiroOdeon
1942Terra de ouroCavalinho teimosoOdeon
1942Só vindo ao Brasil pra verLevanta-te meu amorOdeon
1942Prece de pazMaria HelenaOdeon
1942Capela de São JoãoAi, ai, que penaOdeon
1942Eu, você e mais ninguémAmor próprioOdeon
1942Carnaval de minha vidaCulpe-meOdeon
1942Sabemos lutarSabremos lucharOdeon
1942Deixa a mulher sossegadaSandália de prataOdeon
1942Faço passoQuero, queroOdeon
1942O chapéu da LeonorEu quero uma mulherOdeon
1943Valsa da despedidaCiúmeContinental
1943AdeusA mulher que ficou na taçaVictor
1943Quantas sãoCéu cor de rosaOdeon
1943O amor é sempre amorLuar do sertãoOdeon
1943A mulher e a rosaMarilenaOdeon
1943Se é pecado...TransformaçãoOdeon
1943Ainda serás minhaA dama de vermelhoOdeon
1943Depois da separaçãoBeija-me a bocaOdeon
1943Alza Manolita (I)Alza Manolita (II)Odeon
1943De pé BrasilMocidade felizOdeon
1943Beija-me muitoSejas bem felizOdeon
1943Era euA mulher tem razãoOdeon
1943Ela partiu...(Sabe moço?)Adeus escola!Odeon
1944Onde o céu azul é mais azulA flor e o ventoContinental
1944AdeusEnfrenta o trabalhoOdeon
1944Para sempre adeusLagoa adormecidaOdeon
1944Canção do ExpedicionárioVitória! VitóriaOdeon
1944Mais uma história de amor (c/ Dalva de Oliveira)TernuraOdeon
1944ApogeuTeu erroOdeon
1944Chuá, chuáOi, iaiá baianaOdeon
1944PercalOração ao BonfimOdeon
1944Uno (Rosa vermelha)A última valsaOdeon
1944Nunca saberásUma valsa azulOdeon
1944A lavadeiraOdeon
1944OdeteOdeon
1944Eu brincoOdeon
1945Sem elaSó nós dois no salão e essa valsaVictor
1945Na virada da montanhaCanção do meu amorVictor
1945Serra da Boa EsperançaMisterioso amorVictor
1945Noite santa silenciosa
Amanhã vem Papai Noel
NatalOdeon
1945Palacete do CateteVaidosaOdeon
1945O dia em que me queirasOutroraOdeon
1945NanciAdios muchachosOdeon
1945Mato verdeCoração iluminadoOdeon
1945Deus salve a AméricaGranadaOdeon
1945SantaRei sem coroaOdeon
1945CristalE a noite continuaOdeon
1945PoncianaAmorOdeon
1945Malaguenha (c/Dalva de Oliveira)Se a vida não melhorarOdeon
1945Haja carnaval ou nãoNão é assim que se procedeOdeon
1945A guerra acaba amanhãQue rei sou eu?Odeon
1945IsauraVida de pobreOdeon
1946Amada miaFracassoOdeon
1946Adeus pampa minhaO ciganoOdeon
1946Te quero, dissestePara sempre teuOdeon
1946Tristeza MarinaFrenesiOdeon
1946DeslumbramentoMinha terraOdeon
1946Não me conheço maisOdeon
1946Andorinha (c/Dalva de Oliveira)OlindaOdeon
1947Duas almasDez minutos maisOdeon
1947Bahia com "H"CaminhemosOdeon
1947MademoiselleCanção românticaOdeon
1947Ave MariaNervos de açoOdeon
1947Cinco letras que choram (Adeus)Você e a valsaOdeon
1947MariaMarinaOdeon
1947Mexicanita (c/Dalva de Oliveira)PalhaçoOdeon
1948Pra que recordarMadrugadaOdeon
1948Vidas mal traçadasUm sonho que passouOdeon
1948Esses moços (Pobres moços)Talvez, talvez, talvez, talvezOdeon
1948Quem há de dizerMaria lá-óOdeon
1948Mal-me-quer, bem-me-querFalta um zero no meu ordenadoOdeon
1948Rasguei o meu pierrôTelefona lá pra casaOdeon
1949Luar do sertãoCidade de São SebastiãoOdeon
1949Palavras amigasQuando te encontreiOdeon
1949Velhas cartas de amorA noite triste em que você não vemOdeon
1949InútilBeduínaOdeon
1949Chuvas de verãoMaria BonitaOdeon
1949Estou com tudoPode matar que é bichoOdeon
1949Uma apresentaçãoMaior é DeusOdeon
1950Holandesa (c/Dalva de Oliveira)Se o divórcio vierOdeon
1950Deus lhe pagueLiliOdeon
1950Boa noite amorNa estrada do bosqueOdeon
1950Aquarela mineira (I)Aquarela mineira (II)Odeon
1950ForasteiroMaria RosaOdeon
1950Cadeira vaziaVem meu amorOdeon
1950No jardim dos meus amoresMarcha dos brotinhosOdeon
1950XimangoA LapaOdeon

Década de 1950

AnoSinglesGravadora
Lado ALado B
1951Canção de Natal do BrasilSinos de NatalOdeon
1951Convite ao sambaLonga caminhadaOdeon
1951Estranha melodiaBaía da GuanabaraOdeon
1951A voz do violãoLua novaOdeon
1951São Paulo coração do BrasilSem protocoloOdeon
1951Saudades do passadoNão seiOdeon
1951Retrato do velhoLargo do EstácioOdeon
1952Até a voltanuma noite assimContinental
1952Fiz um sambaTermina assim esse romanceContinental
1952Sob a máscara de veludoAo ouvir esta canção hás de pensar em mimContinental
1952Linda judiaCéu e marContinental
1952Linda mexicanaSolteiro é melhorContinental
1952Quem chorou fui euDespedida de MangueiraContinental
1952Dona RitaTriste pierrôContinental
1952Dama das caméliasEla teve razãoContinental
1952É bom pararFoi elaRCA Victor
1952Brasil de amanhãCanção da criançaOdeon
1952No tempo da valsaFalando a verdadeOdeon
1952Valsa dos namoradosPra esquecerOdeon
1952Tempo felizPra São João decidirOdeon
1952Milagre impossívelFelicidadeOdeon
1952ElaQue saudadeOdeon
1952Macaco quer bananaPra que sofrerOdeon
1952ConfeteTodo mundo choraOdeon
1953Malandrinha*A mulher do meu amigoOdeon

*Disco lançado postumamente

Álbuns póstumos

AnoÁlbumGravadoraTipoObservações
1963Os grandes sucessos de Francisco AlvesRCA-CamdenLP
1964O melhor de Francisco AlvesOdeonLP
1966O cantor de sempreOdeonLP
1967Os carnavais antigos de Francisco AlvesOdeonLP
1968Recordando o rei da voz com Dalva de Oliveira e OrquestraMusicolorLP
1968Francisco Alves - O Rei da VozRCA/CamdenLP
1968Francisco Alves interpreta SinhôOdeonLP
1968O imortal Rei da VozMusicolorLP
1969O Rei da Voz - Vol. 2RCA/CamdenLP
1969Francisco Alves - O cantor ecléticoOdeonLP
1971O Rei da Voz - Vol. 3RCA/CamdenLP
1973Chico Viola - Tributo a Francisco AlvesOdeonLP
1974Francisco AlvesContinental/CulturalLP
1975A voz do rei...OdeonLP
1977Homenagem ao 25o. Aniversário de falecimento do Rei da VozContinentalLP
1986Francisco AlvesCollector's Editora LtdaLP
1987Francisco Alves 35 anos depois...Collector's Editora LtdaLP
1988Homenagem a Francisco AlvesEMI/Moto DiscosLP
1988Francisco Alves e seus sucessosCollector's Editora LtdaLP
1989Francisco AlvesCollector's Editora LtdaLP
1989Canção do expedicionárioEMI/Moto DiscosLP
1992O único Rei da Voz - Vol. 1Collector's Editora LtdaLP
1992O único Rei da Voz - Vol. 2Collector's Editora LtdaLP
2002Francisco Alves e Mario ReisOdeonCDcoleção "10 Polegadas" (Reúne os discos “Os grandes sucessos de Mario Reis e Francisco Alves” e “Álbum da Saudade”, de Francisco Alves, remasterizados)
2004In Memoriam: Francisco AlvesSony MusicCD

Sem data precisa

Os seguintes álbuns não puderam ter a data de lançamento apurada.

PeríodoÁlbumGravadoraTipoObservações
xxUma Tarde do Dia 27 de Setembro de 1952Continental/Moto DiscosLP
195xOs duetos de Francisco Alves e Mario ReisOdeon33 rotações/10 polegadasÁlbum póstumo, sem a data de lançamento (Nº série: 3075).
Antes de 1960Francisco AlvesOdeon33/10 pol.
Antes de 1960Homenagem ao rei Francisco AlvesImperialLP
Antes de 1960O Rei da VozOdeonLP
Antes de 1970Francisco AlvesOdeonLP
Antes de 1970Francisco Alves e seus amigosOdeonLP
Antes de 1970O eterno reiOdeonLP
Antes de 1970Parceiros na glória - Francisco Alves e David NasserOdeonLP
Antes de 1980Francisco AlvesContinentalLP
Antes de 1980Francisco Alves e seus amigosEMI-Odeon/FênixLP
Antes de 1980Entrevista com Chico Alves - 25 anos depoisEMILP