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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

WALDICK SORIANO




Nome completoEurípedes Waldick Soriano
Nascimento13 de maio de 1933
Local de nascimentoCaetitéBahia
Brasil
Morte4 de setembro de 2008 (75 anos)
Local de morteRio de JaneiroRJ
Gênero(s)Bregabolero
Ocupação(ões)cantor e compositor


 Eurípedes Waldick Soriano (Caetité, 13 de maio de 1933  Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2008) foi um cantor e compositor brasileiro, ícone da música classificada como brega.[1][2][3][4][5][6]

Biografia

Nascido no povoado de Brejinho das Ametistas, em Caetité,[7] Bahia, filho de Manuel Sebastião Soriano, comerciante de ametistas no distrito de Brejinho das Ametistas, em sua cidade natal. Fato marcante de sua infância foi o abandono do lar pela mãe, Eudóxia Evangelista Garcia, a quem era muito apegado.

Em Caetité viveu sua juventude, sempre boêmia, até um incidente num clube local, que o fez buscar o destino fora da cidade. Desde muito novo era um inveterado namorador e aventureiro e, seguindo o caminho de muitos sertanejos, foi tentar a vida em São Paulo.

Antes de ingressar na carreira artística, trabalhou como lavrador, engraxate e garimpeiro. Apesar das dificuldades, conseguiu se tornar conhecido nos anos 50 com a música "Quem és tu?".

Ele se destacava por suas canções sobre dor-de-cotovelo e seu visual revolucionário para a época: sempre usava roupas negras e óculos escuros.[8]

Seus maiores sucessos foram "Tortura de amor" e "Eu não sou cachorro não". Também se tornaram conhecidas outras músicas suas, tais como "Paixão de um Homem", "A Carta", "A Dama de Vermelho", "Se Eu Morresse Amanhã" e "Perfume de Gardênia".

O "fenômeno" Waldick Soriano

Waldick Soriano (à esquerda), na década de 70, com Flávio Cavalcanti

A posição quase marginal que o ritmo "cafona" ocupou mereceu uma análise mais acurada e científica pelo historiador e jornalista Paulo Cesar de Araújo.

Intitulado "Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar" (lançado em 2002), o livro traz, já em seu título, uma referência ao cantor e sua música de maior sucesso. Ali o autor reitera, de forma veemente, seu estilo musical próprio, somente dele. Araújo conta de quando Waldick teve sua música "Tortura de Amor" censurada, em 1974, quando foi reeditada. Apesar de ser uma composição de 1962, o regime não tolerava que se falasse a palavra "tortura".[9][10]

A revista "Nossa História", de dezembro de 2005, refere-se ao cantor como "o mais folclórico dos cafonas" (ano 3, nº26, ed. Vera Cruz).

Num dos programas do apresentador Jô Soares, o músico Ubirajara Penacho dos Reis - Bira - declarou que nos anos 60 tocava apenas os sucessos de Waldick.

Na sua cidade natal, Waldick sempre foi tratado com certo menosprezo. Aristocrática, Caetité mantinha apenas nas camadas mais populares uma fiel admiração. Ali teve dois de seus filhos, gêmeos, de forma quase despercebida, em 1966. Em meados da década de 1990, porém, a cidade teve num político o resgate do filho ilustre. O vereador Edilson Batista protagonizou uma grande homenagem, que nomeou uma das principais avenidas com o nome de Waldick. Pouco tempo depois, o SBT realizava ali um documentário, encenado por moradores locais, retratando a juventude de Waldick, sua paixão pela professora Zilmar Moura, a mudança para o sul.

Silvio Santos aliás, protagonizou com Waldick uma das mais inusitadas cenas da televisão brasileira: no abraço que deram, foram perdendo o equilíbrio até ambos caírem, abraçados, no chão. Ali, então, simularam um affair, provocando risos. No início dos anos 90, mudou-se para a cidade de Teresina onde iniciou uma parceria com o violonista Fernando Fonseca, com quem fez shows pelo país inteiro naquela que seria sua última incursão pelos palcos da vida. Dois anos depois mudou-se para Fortaleza. Na capital cearense, ao lado do pianista Oliveira Junior continuou fazendo pequenas apresentações até ter diagnosticada a doença que o levaria embora. Por tudo isto, Waldick Soriano faz-se símbolo, no Brasil inteiro, de um estilo, de uma classe social, e da sua manifestação cultural, pulsante e criativa.

Em sua homenagem, a Rua Cantor Waldick Soriano (bairro Tupiry), em Praia Grande-SP.[11]

Doença

Waldick teve diagnosticado um câncer de próstata em 2006. Em 2 de julho de 2008 foi divulgado que seu estado de saúde era grave,[12] pois já ocorrera metástase da doença. Morreu em 4 de setembro no Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabelzona norte do Rio de Janeiro. Foi sepultado no Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio. no dia 6 de maio de 2022, os restos mortais de Waldick foi transladado para sua cidade natal, e foram sepultados em Caetité.[13]

Discografia

ÁlbumSeloAno
Quem és tu?/Só vocêChantecler1960
Ninguém é de ninguémChantecler1960
Dona do meu coração/Mais uma desventuraChantecler1961
Perdão pela minha dor/Amor de VênusChantecler1961
Sede de amor/RenúnciaChantecler1961
Waldick SorianoChantecler1961
Fujo de ti/Tortura de amorChantecler1962
Ciúmes/DesuniãoChantecler1962
Homenagem a Recife/Amor numa serenataSertanejo1962
Cantor apaixonadoChantecler1962
Quem é você?/Vestida de brancoChantecler1963
Foi Deus/Errei SenhorChantecler1963
Pobre do pobre/Se eu morresse amanhãChantecler1963
Motivos banais/É melhor eu ir emboraChantecler1963
A justiça de Deus/Tu és meu mundoChantecler1963
Manaus, meu paraíso/Pisa no calo deleSertanejo1963
Enfim você voltou/Pensei que estava sonhandoChantecler1964
Eu vou ao casamento dela/A maior injustiça do mundoChantecler1964
O elegante Waldick SorianoChantecler1964
Como você mudou pra mimChantecler1965
Waldick sempre WaldickCopacabana1967
Boleros para ouvir, amar e sonharCopacabana1967
WaldickContinental1968
Amorosamente para vocêTropicana1970
No coração do povoContinental1970
Eu também sou genteRCA1972
Ele também precisa de carinhoRCA1972
Segue o teu caminhoRCA1974
Quero ser teu escravoRCA1978
Minha Ultima NoiteGema2000
Ao VivoGema2001
Ao Vivo - Só SucessoGema2002
Ao Vivo "Som Livre"Som Livre2007

WALDICK SORIANO - WALDICK SORIANO [ 1962 ]