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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

AGENOR DE OLIVEIRA - BIOGRAFIAS





Alguém lembra daquele Rio de Janeiro, berço do samba e das lindas canções, da festa e da alegria? Onde qualquer problema era deixado pra depois do carnaval ou da partida do time do coração? Onde carioca era ser cheio de auto-estima, de bom humor, de alto astral? Malandro fazia parte de um código de ética e era sinônimo de bem aproveitar as oportunidades da vida? Foi nesse Rio que nasceu Agenor de Oliveira. Num pequeno sítio da família, na rua Anália Franco, ao lado da lendária escola de samba União de Jacarepaguá.

O cantor, compositor, produtor musical e professor de teoria da literatura, Agenor de Oliveira é filho de pai músico amador e mãe cantora. O pai lhe ensinou a tocar violão "de ouvido", a mãe cantava nos programas de auditório da Mayrink Veiga. Cresceu numa casa onde tudo era motivo para festa e, por ter piano, tornou-se o centro das reuniões musicais da rua. Aos 10 anos foi fundador de um bloco infantil: "Unidos de Tróia".

Adolescente, formou o seu primeiro conjunto de baile, "Os Cínicos". O repertório era tudo o que na época fosse considerado dançante, dos Beatles a Lupicínio Rodrigues... Assim se aventurou pelos bailes da vida.

Por ter crescido nas vizinhanças de Madureira, aprendeu samba na Portela e no Império Serrano. Seu coração ficou dividido entre as duas escolas. Mas como, entre os sambistas, há uma lei que diz só ser permitido se defender uma bandeira, optou: o Império. Hoje faz parte de sua ala de compositores.


Assim é Agenor de Oliveira: de Mário Reis, que ouvia na infância, herdou o registro vocal e a forma de cantar, lisa e sem vibratos. Ainda criança conheceu a música de Paulinho da Viola, que por acaso freqüentava a sua rua, para jogar futebol. No curso primário, torna-se amigo e colega de classe do grande violonista Guinga. Já na juventude, encontrou e tornou-se parceiro de Moacyr Luz. Ou seja, foi educado a biscoito fino.

Pela vida seguiu, cantando pelos bares e pagodes, encontrando parceiros e se fazendo conhecer e respeitar pelos seus pares. Até que surgiu o primeiro disco em 1983. "Cabeças" foi produzido por Moacyr Luz, que dividiu os arranjos com Fernando Merlino. Este disco teve a participação de músicos do porte de Romero Lubambo e Humberto Araújo.

Em 1997 lançou o CD "Agenor de Oliveira canta Noel", onde desenvolveu um trabalho de interpretação baseado na valorização da palavra e do universo poético de Noel Rosa. Este trabalho, com arranjos de Roberto Araújo, conta com as presenças luxuosas de Gilson Peranzzetta e Mauro Senise.

Trazendo da infância o amor pelos blocos, sempre compõe para o Carnaval. No ano 2000, seu samba "Carioca da Gema" sacudiu os milhares de foliões do Bloco "Simpatia é Quase Amor", em Ipanema, repetindo a dose em 2003 com o samba "Simpatia no coração".

Também em 2003, lançou o CD BAFAFÁ (Rob digital). Trabalho autoral, independente, síntese de toda esta rica trajetória, que lhe deu material para manifestar o seu sentimento musical, pleno do que existe de mais sutil e sofisticado no universo do samba.

Trabalho marcado por arranjos originais, onde o som mais tradicional do samba é evocado, mas se pode ouvir bandolins e acordeões, ao lado dos clássicos violões e cavaquinhos. O formato pagodeiro, tão em voga, foi evitado, para chegar a um som mais límpido, onde cada instrumento de percussão tem o seu espaço e a sua tessitura. São 14 faixas com a direção musical de Rogério Souza, violonista do Nó em Pingo d'Água, parcerias com Wanderley Monteiro e Zé Luiz do Império Serrano e a participação de músicos como Ronaldo do Bandolim e Eduardo Neves.

Agenor de Oliveira tem músicas gravadas por Beth Carvalho, Delcio Carvalho, Nelson Sargento, Wanderlei Monteiro, Sérgio Souto, Rodrigo Lessa, Nilze Carvalho, dentre outros, e, no exterior, por Mio Matsuda e Sarha (Japão), Paulinho Lemos(Espanha/Portugal) e Maruça Rodrigues(Itália).

Cantor refinado, sempre acompanhado pelos grandes músicos brasileiros, Agenor de Oliveira apresenta-se em shows em diversos teatros e casas noturnas no Brasil e no exterior divulgando clássicos do samba brasileiro, além de suas próprias composições.

Em 2005, edita o livro "Pensamentos" comemorando os 81 anos do parceiro e amigo, baluarte da Mangueira, o fabuloso Nelson Sargento. O livro deu origem ao show "Pensamentos Cantados" com os dois artistas, que ,desde lá, é apresentado pelo país.

Em 2006, cria o selo fonográfico Olho do Tempo e lança - além dos novos CDs de Marcos Sacramento e Carlos Fuchs(Fossa Nova), de Eduardo Neves (Gafieira de Bolso), de Ronaldo do Bandolim (Época de Choro) e o de Delcio Carvalho(Profissão compositor) - seu novo disco autoral, o CD É banto, com apresentação de Zelia Duncan, e mostra parcerias refinadas com Sergio Ricardo, Delcio Carvalho, Paulinho Lemos e Rodrigo Lessa, e participação de músicos do naipe de Jorginho do Pandeiro, Cristóvão Bastos, Toninho Ferraguti, Márcio Bahia, Celsinho Silva.

Zélia Duncan afirma que "Agenor se revela neste disco com despojamento e sofisticação; qualidades que, quando juntas, acabam elevando o nível das coisas." O CD mereceu de João Máximo, crítico de O Globo, a seguinte frase: " É banto de Agenor de Oliveira privilegia o samba. Cantados por ele, e por ele escritos com vários parceiros. Todos novos, todos bons, alguns mais do que isso ..."

Em julho de 2006, a convite do Club do Choro de Paris e do Festival de Música Internacional de Plaisir, faz várias apresentações na França, e também na Espanha e Portugal, ao lado de músicos brasileiros e franceses.

Desde abril de 2007, Agenor de Oliveira apresenta, semanalmente, dois programas na Rádio Roquete Pinto Pinto FM, do Rio de Janeiro. "Música no ar", com o parceiro Nelson Sargento, além do seu próprio programa "Música em 3 tempos".

Em 2008, lançou em agosto, no Canecão, o novo CD de Nelson Sargento, "Versátil", com sambas inéditos de sua parceria com o mestre Sargento e as participações de Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Wagner Tiso e Velha Guarda da Mangueira. Este CD recebeu três indicações para o Prêmio de Música Brasileira (ex-Prêmio TIM):melhor CD de samba, melhor música(Acabou meu sossego, parceria de Agenor e Nelson Sargento) e melhor cantor. No primeiro semestre de 2009, voltou a se apresentar em shows e festivais de música em Paris e no interior da França, nas cidades de Troyes e Chablis, na Inglaterra, nas cidades de Londres e Brigton e na Espanha, em Barcelona e Terragona, onde começou as gravações de um novo CD autoral com o parceiro Paulinho Lemos.

Em 2010, no primeiro semestre, apresentou-se em shows promovidos pela Prefeitura do Rio, no Terreirão do Samba e nos Arcos da Lapa; no Teatro Municipal de Florianópolis,-SC e no Viradão musical, em São Paulo. Em setembro, fez nova turnê na França, apresentando-se em casas noturnas de Paris e Troyes.

Em 2011, neste primeiro semestre, em parceria com a pesquisadora Ângela Nenzy e a Prefeitura do Rio de Janeiro, produz, dirige, e se apresenta em shows musicais mensais ao lado de Wilson Moreira, Almir Guineto, Nelson Sargento, Luis Melodia, Paulão 7 cordas e o conjunto Pé de Moleque, dentre outros, no projeto musical do Centro Cultural Solar Wilson Moreira. Estes eventos tiveram início em Dezembro de 2010. Em abril de 2011, Agenor recebe o convite para a direção artística do primeiro DVD do parceiro Nelson Sargento, além de prefaciar o livro que acompanha o DVD, lançado em janeiro de 2012.

Ainda em 2011, em junho, Agenor participa do show de abertura do Festival de Artes Plásticas de Veneza, Itália, com Nelson Sargento e Alcione. Em agosto fez shows no Carioca da Gema e RioScenarium, casas tradicionais da Lapa, no Rio de Janeiro e no Clube do Choro de Brasília. Em outubro, apresentou, com Nelson Sargento, o show Pensamentos Cantados, no teatro da Caixa Cultural – RJ.

Nos meses de novembro e dezembro, faz shows no Centro Cultural Solar Wilson Moreira.

Em 2012, volta a se apresentar no RioScenarium, e também em diversos shows ao lado de Wanderley Monteiro, Toninho Geraes, Almir Guineto, Paulão 7 cordas, dentre outros. Apresenta-se também em shows em Brasília, no Feitiço Mineiro e no bar Maracanã.



  • DISCOGRAFIA 




  • (2018) Warner Chappel Music Edições Musicais • Warner Chappel Music Edições Musicais • CD
  • (2006) É banto • Selo Olho do Tempo • CD
  • (2002) Bafafá • Rob Digital • CD
  • (1998) Agenor de Oliveira canta Noel Rosa • Independente • CD
  • (1983) Cabeças • Independente • LP



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